Caso Monte Tchota

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Sociólogo Graciano Nascimento: “As FA vão passar a ser associadas ao horror” 15 Maio 2016

A sociedade cabo-verdiana vai mudar a opinião positiva que tinha das Forças Armadas e passar, durante muito tempo, a associar a instituição ao horror da chacina dos militares e civis em Monte Txota, na perspectiva do sociólogo cabo-verdiano Graciano Nascimento. Conforme Nascimento, será preciso tempo para se medir com propriedade as consequências desse incidente, mas é previsível que tenha impactos a nível social, político, mediático nacional e na própria instituição militar.

Sociólogo Graciano Nascimento: “As FA vão passar a ser associadas ao horror”

“Aquela que era uma entidade que gozava de uma óptima imagem, uma espécie de escola de virtudes, vai deixar de ser vista com bons olhos pela sociedade, depois do ocorrido. Acredito que quando um jovem for chamado para a incorporação, a primeira coisa que irá lembrar-se é desse horroroso acontecimento. Por seu lado, os pais não vão poder ficar tranquilos, pois serão invadidos por essa angústia de pensar que os seus filhos possam estar a correr sérios riscos”, salienta esse mestre em sociologia, para quem esse acontecimento vai condicionar durante muito tempo a relação de confiança entre a tropa e a sociedade civil.

O massacre, conforme Graciano Nascimento, vai obrigar o Governo e outros órgãos de soberania a tomar medidas políticas em relação às Forças Armadas. Uma delas será questionar a pertinência de se manter em vigor o serviço militar obrigatório e a estrutura actual do Exército. “Faz sentido um serviço obrigatório, ainda mais de dois anos? Hoje os tempos são outros e Cabo Verde não é chamado para palcos de guerra. No entanto, a sociedade espera que os militares possam estar preparados para garantirem a soberania do país. Mas será que estão mesmo preparados para esta missão?”, questiona Nascimento, deixando claro que neste momento são muitas as perguntas e as desconfianças sobre a tropa.

Aliás, acha que essa ocorrência vai obrigar as Forças Armadas a adoptar medidas internas drásticas e imediatas. “Para já não podemos ignorar as consequências imediatas, que foram os pedidos de demissão do chefe de Estado-Maior e do comandante da Guarda Nacional. O ministro da Defesa só não cai também porque acabou de entrar em função. Mas, numa outra situação, ou se isso tivesse acontecido antes das eleições, certamente que a tutela iria cair também”, prognostica o sociólogo natural de Santo Antão, que não sabe dizer neste momento se ao agir Anthony esteve consciente do choque social que a sua atitude iria causar, em Cabo Verde e noutras latitudes. Mas, por aquilo que conhece de casos semelhantes, normalmente os autores agem por impulso e sem se preocuparem com o impacto social, que é deveras importante para os autores de atentados terroristas. Porém, para ele, o incidente de Monte Tchota não parece ser um acto terrorista, mas sim um “hediondo assassinato” movido por motivos pessoais.

Kim-Zé Brito

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