CORREIO DAS ILHAS

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Santo Antão: Dívidas da Câmara com Águas de Porto Novo chegam aos 160 mil contos e colocam em risco sustentabilidade da empresa 03 Dezembro 2017

As dívidas da edilidade com a empresa Águas do Porto Novo (APN) rondam, actualmente, os 160 mil contos, situação que se deve ao facto de o serviço de distribuição de água dessalinizada neste município ser ainda “bastante deficitário”.

Santo Antão: Dívidas da Câmara com Águas de Porto Novo chegam aos 160 mil contos e colocam em risco sustentabilidade da empresa

O edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca, informou que a autarquia, que assume a distribuição de água dessalinizada, produzida pela APN, não conseguiu, até agora, gerar receitas suficientes para suportar os 600 metros cúbicos de água fornecida à câmara municipal, para distribuir aos utentes.

“O serviço é bastante deficitário. Não conseguimos, até agora, gerar receitas para pagar à APN a água que é fornecida para a distribuição”, sublinhou o autarca, explicando que, consequentemente, “temos dividas que se vão acumulando todos os meses, todos os anos”.

Revela a Inforpress que o défice mensal ronda os dois mil contos, o que significa que, anualmente, o município do Porto Novo, através do Serviço Autónomo de Água e Saneamento (SAAS), deve à APN cerca de 25 mil contos, segundo o presidente da edilidade, para quem está-se perante uma situação que está a pôr em causa a própria sustentabilidade da APN.

“Como se compreende, para a própria sustentabilidade desta empresa, com um volume de negócios de 55 mil contos, mas também do próprio SAAS, isto fica muito difícil”, alertou Aníbal Fonseca, propondo um debate entre o Governo, o município e a APN para que seja encontrada uma resposta à questão de distribuição de água no Porto Novo.

Se por um lado, Porto Novo tem uma água de boa qualidade, certificada pelas autoridades competentes, há, por outro, “problemas muito sérios” em relação à distribuição, porque a rede é de “má qualidade”, originando “perdas consideráveis (acima dos 45%), que acabam por ser imputadas à própria câmara e tornam insustentável qualquer serviço”, explicou o edil.

O presidente da câmara do Porto Novo enaltece, todavia, “o papel social” da APN que, apesar das dívidas avultadas, mantém a normalidade em termos de abastecimento de água aos porto-novenses.

Segundo a mesma fonte, uma outra questão que tem marcado a actualidade no quadro do sistema de produção e distribuição de água dessalinizada no Porto Novo, já com dez anos de funcionamento, prende-se com as tarifas elevadas, segundo autarca, considerando que, nesta matéria, a regulação é chamada a intervir.

A Agência de Regulação Económica (ARE) admite que as tarifas de água dessalinizada praticadas no Porto Novo são, de facto, “elevadas”, mas podem baixar, “num futuro muito breve”, ou seja, já nos princípios de 2018, segundo a administradora da ARE, Carine Monteiro.

“As tarifas de água praticadas no Porto Novo são elevadas. Durante algum tempo, essas tarifas tiveram como objectivo a recuperação do défice tarifário dos Serviços Autónomos de Água, mas, com a evolução dos preços, poderão baixar num futuro muito breve”, notou Carine Monteiro, que garante que a ARE tem estado a acompanhar esse processo.

A unidade de dessalinização, com capacidade de produção de mil metros cúbicos de água por dia, é gerida pela empresa Águas do Porto Novo (APN), que resultou de uma parceria público-privada, envolvendo Águas da Ponta Preta, o Governo e o município, refere a Inforpress.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade






Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau