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Porto Novo: Apesar da seca agricultores perspectivam “queda pouca significativa” na produção de batata comum 12 Novembro 2017

Os agricultores no Porto Novo, Santo Antão, apesar da seca que está a ter reflexos “bastante negativos” a nível de disponibilidade de água para rega, perspectivam “uma queda pouco significativa” na produção da batata comum.

Porto Novo: Apesar da seca agricultores perspectivam  “queda pouca significativa” na produção de batata comum

Os agricultores, que estão nesta altura na fase de sementeira (colheita será em Fevereiro), admitem que a seca que assola este ano, de forma particular, Porto Novo e com “impacto muito negativo” na recarga das nascentes, terá reflexos negativos na produção da batata comum, “mas não de forma expressiva”.

Excepção feita à localidade da Ribeira das Patas, onde os produtores parecem mais preocupados.

Na maioria os vales, a água é disponibilizada através furos, cujo caudal não deverá ser afectado, pelo menos nos próximos meses, segundo os agricultores.

“Temos a garantia dos técnicos do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) de que o caudal dos furos, apesar da seca, vai-se manter, informou José Lima, representante dos agricultores em Casa de Meio, onde, também, se produz muito a batata comum.

Mesmo em Martiene, o maior produtor de batata comum no Porto Novo e, também, a nível de Santo Antão, com uma produção anual a ultrapassar um milhar de toneladas, os agricultores dependem muito da água da nascente de Escravoerinhos, mas existe, no local, um furo equipado com sistema solar que dá “alguma segurança” aos agricultores.

Em Ribeira das Patas, o vale agrícola mais extenso do concelho do Porto Novo, a maioria das nascentes locais, além do impacto da falta de chuva, precisa, há muito tempo, de obras de recuperação, situação que leva os agricultores a estarem pessimistas em relação à cultura de batata comum e de outros produtos agrícolas.

O presidente da Associação para o Desenvolvimento Integrado da Ribeira das Patas (ADIRP), também agricultor, Arlindo Delgado, disse à Inforpress que é já um facto que a produção de batata comum vai diminuir, drasticamente, este ano, nessa bacia hidrográfica.

Além do problema com as nascentes, há ainda a falta de sementes nessa em Ribeira das Patas, onde a seca impediu que muitos agricultores de sequeiro fizessem, igualmente, a sementeira deste tubérculo, lamentou Arlindo Delgado, explicando que se trata de situações que fazem com que a produção de batata comum nesse vale venha diminuir “para metade” este ano.

Em Ribeira da Cruz, produz-se, normalmente, “muita batata comum na localidade de Morro Cavalo, onde os cerca de 40 agricultores parecem mais preocupados, não com a falta de água, produzida através de um furo, mas com o “custo elevado” da mesma.

“Não estamos a conseguir comprar a água a esse preço. Estamos preocupados porque já ja iniciámos a cultura de batata comum e vamos precisar adquirir muita água”, disse João Fortes, porta-voz dos agricultores em Morro Cavalo, para quem tem sido um problema para os agricultores comprarem a água para rega a 27 escudos/tonelada.

Em Ribeira dos Bodes, a cultura de batata comum parece estar garantida, já que a disponibilidade de água é assegurada através de três furos, dois dos quais equipados com sistema foto voltaico, com vantagens para o custo de água.

O “único senão” nessa localidade tem a ver com a invasão e animais às parcelas agrícolas, situação que todos os anos tem trazido “enormes prejuízos” aos agricultores em Ribeira dos Bodes, segundo o representante dos lavradores, Henrique da Luz.

MAA e recuperação das nascentes

Não estão disponíveis dados relativos à produção agrícola de regadio no Porto Novo, mas somente em Martiene, produtor por excelência da batata comum, a produção ultrapassa, anualmente, mil toneladas, embora os produtores prefiram declarar apenas pouco mais metade, segundo um técnico do MAA.

O mercado de produtos agrícolas no Porto Novo, não obstante a seca, mantém-se “bem abastecido”, segundo os consumidores que, quase os dias, encontram nesse espaço grande variedade de produtos provenientes dos diferendos vales agrícolas.

A aposta, cada vez mais visível, dos agricultores em horticultura, em detrimento da monocultura da cana sacarina, faz do Porto Novo um produtor por excelência de frescos, no contexto da ilha de Santo Antão.

O MAA reconhece que os grandes centros produtores de legumes em Santo Antão (Martiene, Tarrafal de Monte Trigo, Ribeira Fria, Alto Mira e Ribeira da Cruz) estão localizados no concelho do Porto Novo, graças, também, à uma forte aposta feita, nos últimos, anos, em matéria de mobilização de água, através de prospecção (furos).

Há, no Porto Novo, outros produtores emergentes: Chã de Norte, Ribeira dos Bodes, Chã de Mato/Ponte, Casa de Meio Sul.

De facto, a aposta feita, nos últimos anos, no quadro dos investimentos públicos, na mobilização de água, aliada à opção dos próprios agricultores, Porto Novo se assume, actualmente, no contexto de Santo Antão, como o maior produtor de batatas (comum e doce), inhame, cenoura, tomate e repolho.

O facto de os comerciantes dos outros concelhos da ilha, sobretudo da Ribeira Grande, virem comprar produtos no mercado do Porto Novo, confirma o peso que este município, curiosamente, o mais árido de Santo Antão, está a ter no panorama agrícola da “ilha das montadas”.

O MAA anunciou que, no quadro do plano de emergência para mitigação da seca no Porto Novo, estuando em 150 mil contos, a mobilização de água é uma das intervenções previstas, com enfoque na recuperação das nascentes.

JM/AA

Inforpress/Fim

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