HISTÓRIA

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Pé de Rocha. Marcas dos Dias 30 Agosto 2010

Nova Sintra. Eis a Vila. Uma roda de moinho. As amendoeiras em flor. Há-de chegar o dia de abrirem em frutos que são sementes a desencaroçar. Ruas tão lindas de floridas, aqui estão os lugares da memória poética. O belo edifício dos Correios: foi aqui que se deu o baile que honrou o governador e desonraria a filha dos Barnabés não tivesse ela tido o seu happy end com o capitão José Alves. Vitória deles e derrota do candidato do governo que perdeu a eleição na Brava. Por: Maria de Lourdes Lima

Pé de Rocha. Marcas dos Dias

Condição de poeta. A poesia salva-o? A morna perde-o? Este Homem ambivalente, que se quer dos irmãos portugueses iguais na lei. Esta pátria que é madrasta e não mãe, dum povo órfão, a quem nem sequer foi dado ter uma mãe-substituta, a Badinha a quem o Poeta dedica um poema deste nome. Nome, o que é um nome que cada um desenha, configura com a sua vida, em geral anónima. Em Lisboa houve contemporâneo a quem bem calhou a coincidência com o nome deste imortal. E se, nas ilhas primeiramente povoadas do arquipélago, Tavares é um dos mais usados (o 3º pelas contas da Antroponomástica, 1998-2001) só raramente surge um eleito homónimo para o imortalizar.

Esta pátria que é madrasta e não mãe. Por isso Tantum será aqui, para os baleeiros pioneiros desta emigração. E, gerações depois, para os mais prósperos até podia, em musicalidade que suaviza a aspereza do original, repetir-se aqui Batifati, em preito de reconhecimento que não de saudade. Mas já alguém antes aqui morara e marcara este lugar, uma Joana que nome deu a esta cratera onde tudo prosperou, a terra de suor regada deu fruto. Cova de Joana, onde terminam os seus dias, por entre belezas naturais, as belas casas imponentes que são como mansão para os que numa cave escura penaram meio século para ganhar este paraíso. Ganho com o suor do seu rosto, também literal, na ora cinza e ardente ora cinzenta e fria cidade de New Bedford.

Pé de Rocha. Tão fresca e tão de neblina, queria aqui ficar para sempre, segredam-me. Ele é que é chabe Que abrim nha céu! Retiro do poeta que aqui andou, ia a casa de uma rapariga que cá tinha. Um sexagenário e uma ninfeta? Todo o céu não cobre só os puros, nem os eleitos de Apolo escapam à sua baixa condição de homens, aqueles de quem bramava a bravense D. Iva, a caminho da América na Lisboa dos anos 70 (terá chegado ou quedou-se o seu sonho no bairro da Bela Vista?).

Fajã d’ Água. A pedra-de-toque pela qual Barnabé, o pai de Tudinha, mede toda a riqueza. Assim, Romão “ que é uma mina de ouro” porque tem “esse bocado de ouro da Figueira Grande que por si só vale uma Fajã d’Água!”
Mas ao chegar – vindos pelo mar, em iate de turistas ou bote de pescador, por terra em viatura guiada por chofer e pastor-de-almas, jovem empreendedor que segue, à distância de um século, as pisadas de um outro bravense que na América prosperou pregando Deus – aqui ó decepção, onde está o verdejante vale, a mina de ouro da literatura, o grande empreendimento hoteleiro do artigo de jornal de há dias era só marketing sem verdade? Big expectations, bigger frustrations! Mas há as crianças, Senhor, tantas e tantas pelas nossas ilhas, aqui e ali, que haja força nas canelas para educar tanta meninada.

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