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PAICV denuncia “instrumentalização da comunicação social pública” em particular da TCV 12 Outubro 2017

A líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, disse, hoje (10), que o seu partido tem a “clara percepção” de que está a ocorrer “alguma instrumentalização” da comunicação social pública em Cabo Verde, particularmente da Televisão de Cabo Verde (TCV).

PAICV denuncia “instrumentalização da comunicação social pública” em particular da TCV

“Fizemos um levantamento e constatamos que não se têm promovido muitos debates a nível político, permitindo aos partidos que estão na oposição de poderem manifestar a sua posição”, criticou Janira Almada, no final de uma audiência com os responsáveis da Rádio Televisão de Cabo-verdiana (RTC).

A líder do PAICV, que encabeçava uma delegação do seu grupo parlamentar, disse igualmente que o seu partido tem constatado também que “vários factos de relevância nacional” não têm merecido “tratamento devido” por parte da TCV.

“Reconhecemos o trabalho dos jornalistas, mas queremos saber quais são os critérios que têm determinado o tratamento jornalístico que vem sendo dado ao maior partido da oposição neste momento”, questionou Janira Almada.

O PAICV quer saber a forma de tratamento das matérias no Jornal da Noite do canal televisivo em que, acusou, “são garantidos tempos de antena aos membros do Governo” para continuarem o debate feito no Parlamento, “manifestando a sua posição”, sem que seja dado a oposição também esta oportunidade.

“Colocamos um conjunto de questões ao conselho de administração da RTC que endereçaremos por escrito para podermos conhecer os critérios que têm determinado o tratamento jornalístico que vem sendo dado ao PAICV”, sublinhou a líder do principal partido da oposição.

Para que haja decisões “há que haver critérios definidos de forma clara e rigorosa”, visando garantir “a imparcialidade e sobretudo a isenção” no tratamento noticioso.

“Queremos saber como é que é aferida a relevância das matérias para o tratamento jornalístico, sobretudo no horário nobre”, lançou a mesma fonte, para quem existe hoje a “percepção generalizada” na sociedade cabo-verdiana de que o Jornal da Noite da TCV tem “90% do seu tempo dedicado ao Governo”.

Janira Almada criticou também a ausência da TCV nas visitas realizadas pelo PAICV às diversas localidades e concelhos, bem como nas suas actividades partidárias.

Como exemplo, citou a deslocação dos deputados do PAICV ao Concelho de São Domingos em que se reuniram com os artesãos, agricultores, criadores de gado e pescadores, num momento que se perspectiva um mau ano agrícola, e a ausência da TCV “foi notável” na ocasião.

“Esta visita não tem relevância nacional. A sociedade cabo-verdiana não deve ser informada sobre esta visita. Marcamos uma conferência de imprensa para transmitirmos as preocupações da população e a TCV não compareceu”, criticou Janira Almada.

A presidente do PAICV quer que haja o tratamento das questões do Governo, mas defendeu que é preciso também que seja dado tempo à oposição, que fiscaliza o Governo, para que possa transmitir as preocupações das populações.

Sobre as questões colocadas durante o encontro, Janira Almada disse que os deputados do PAICV não foram esclarecidos porque a presidente do conselho de administração da RTC informou que não tinha as respostas no momento.

Reagindo às declarações da líder do PAICV, a presidente do concelho de administração da RTC, Sara Pires, por sua vez, disse que a empresa que dirige ao longo dos anos tem norteado pela imparcialidade.

Reacção da RTC

Entretanto, com o objectivo de dar esclarecimentos posteriormente, Sara Pires solicitou ao PAICV que enviasse as questões por escrito para que o concelho de administração possa questionar as direcções da rádio e da televisão públicas e depois dar resposta.

“As questões que foram colocadas pelo PAICV são na sua maioria da responsabilidade das direcções da rádio e da televisão. São questões que tem a ver com a cobertura noticiosa, tempo de antena e que o conselho de administração não tem conhecimento e não pode imiscuir-se nesses casos”, informou Sara Pires.

Questionado se não seria pertinente a presença dos directores da rádio e da televisão no encontro para os devidos esclarecimentos aos responsáveis do PAICV, Sara Pires concordou, mas disse que a ausência deveu-se a não especificação do assunto por parte do partido da oposição, no seu pedido de audiência.

“Neste caso desconhecíamos o motivo da visita, por isso os directores da rádio e da televisão não estiveram presentes no encontro”, justificou Sara Pires. Fonte: Inforpress

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