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Os Tubarões: Um fazer lembrar 30 Maio 2015

Os Tubarões voltaram a actuar em Lisboa. O São Jorge, antiga sala de cinema, esgotou a lotação para receber a última versão de um conjunto mítico na cena musical cabo-verdiana a fechar o Festival Rotas e Rituais sob o lema “Labanta braço, bu grita bu liberdadi”. Dos elementos fundadores: Mike Baptista, Zézé Barbosa, Fortinho, Duia e Chindo, ninguém subiu ao palco ontem à noite. O mais antigo elemento foi Zeca Couto que se transferiu do Apolo 70, com Zé António e Secrê, e cujo local de ensaio era a sala da próprio teclista, que então tocava o inseparável acordeão, legado do pai.

Os Tubarões: Um fazer lembrar

Ouvir Os Tubarões é um fazer lembrar, 46 anos depois da sua fundação. Lembrar o grupo que se projectou na cena internacional, sobretudo a partir de 1973, já com Zeca Couto, nos teclados, Jaime do Rosário, na guitarra, e Ildo Lobo, cujo nome se confunde com o próprio grupo e que ocupou o lugar deixado vago pelo primo Luisinho Lobo.

Ouvir Os Tubarões é um fazer lembrar. Os instrumentos, Yamaha, então importados do Japão, pela Casa Serbam, luzidios na montra e uma tentação para a rapaziada que queria seguir as pisadas da Voz de Cabo Verde, mas não tinha dinheiro para os adquirir, não fora Cristiano Valcorba, homem da nossa cultura, a financiar os dois grupos na Praia: Pop Académico e Os Tubarões.

Ouvir Os Tubarões é um fazer lembrar. Os ensaios em Ponta Belém, em casa do Toca, que foi um grande treinador de futebol na Praia, e melómano admirador dos Beatles que o regente da banda abominava como grupo musical: quatro guedelhudos que não entendiam de música e só faziam barulho.

Ouvir os Tubarões é um fazer lembrar. As festas dos finalistas no Liceu, as passagens de ano no Rádio Clube da Praia as noites míticas no Dinôs, as actuações em Lisboa e tantas outras. A convivência no dia-a-dia com elementos como Duia, na Ponta Belém, na não menos famosa sede dos Travadores, no futebol no largo em frente à Casa do Nené Manco.

Porque as coisas levam tempo e num pequeno artigo não cabem todas as lembranças, urge começar a preparar o cinquentenário de um grupo com o peso e as circunstâncias que se impõem para casos únicos da nossa cultura como é o de Os Tubarões.

Ouvir os Tubarões é lembrar os músicos que ontem estiveram em cena: Zeca Couto, Totinho, Jorge Pimpa, Jorge Lima, Russo e Albertino. Lembrar o momento divertido em que o nosso maestro Zeca Couto se enganou nos primeiros acordes da peça seguinte do repertório e o Albertino ironizou que era “da terceira idade” provocando riso e aplausos de um público que queria sempre “só mais uma música".

AC

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