OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

O PARASITISMO INSTITUCIONAL 12 Janeiro 2018

Um país pedinte, como Cabo Verde, nunca avançará enquanto não for capaz de se livrar desse parasitismo e mentalidade destruidora do erário público. Também, não podemos deixar de reconhecer que se a justiça funcionasse talvez tudo isso não estaria a acontecer e nem os funcionários públicos estariam a destruir o que é de todos.

Por: Carlos Fortes Lopes, M.A.

A Voz do Povo Sofredor

O PARASITISMO INSTITUCIONAL

Cabo Verde é um país de muitos recursos. Recursos Marítimos e Terrestres. Pesca, biodiversidade, turismo rural, gastronomia e muitos mais. São riquezas que podiam estar ao serviço de todo este povo Sofredor. Mas a ganância e ignorância dos que foram eleitos para proteger o bem estar da nação estão destruindo o que podia ser as fontes da grande riqueza nacional.

Os políticos e seus condiscípulos nas instituições ainda não conseguiram se livrar da febre do clientalismo doentio. Desta forma não seremos capazes de livrar da retrógrada mentalidade colonizadora e formas marxistas da dominação político-partidária. Resta-nos agora trabalhar de forma a convencer as populações a lutarem pelo reconhecimento dos seus direitos e deveres constitucionais e exigir melhorias nas condições de vida, com mais emprego e mais poder de compra. O poder de compra é o combustível indispensável na consolidação e sucesso da economia de qualquer país. Enquanto isto, verifica-se que a maioria das populações continuam, insistentemente, a alimentar a triste atitude de dependência total das instituições públicas nacionais. O parasitismo nacional já é um mal crônico nesta sociedade. Todos sabemos que as nossas instituições continuam a depender, em grande parte, das ideias e leis de países, nomeadamente Portugal, o que podia até ser regozijante se os senhores “doutores” consultores nacionais, ao menos, soubessem copiar as ideias dos outros, adaptando-as à nossa realidade nacional. Os políticos e responsáveis institucionais cabo-verdianos estão, na maioria, corrompidos de tal forma que já lhes é impossível encontrar outro caminho que não seja usar e abusar do erário público para satisfazerem as suas vontades e desejos pessoais. Alguns, porque existe exceção em tudo, continuam a contribuir no sentido de colocar o país num patamar lastimoso e de desgraça total. A maioria dos responsáveis nacionais nem querem se preocupar com os seus deveres institucionais. Aliás, existe uma mentalidade retrógrada e maldosa, de alguns, em lapidar o Estado para satisfação própria. Um país pedinte e com uma dívida pública de 33,8% do PIB não pode se dar ao luxo de ter tantos veículos com chapa Amarela (Estado) que na maioria das vezes apenas servem para o uso pessoal de alguns.

Ainda há poucos dias assisti um veículo dos CTT que estacionava na Praça Estrela para a passageira ir fazer compras nas lojas ali existentes. Como este, existem milhares de casos em todas as ilhas, especialmente nas Câmaras Municipais e outras instituições públicas. Uma solução para este mal, seria o Ministério das Financas, criar um gabinete (Task Force) para apoiar o Ministério na auditoria das documentações específicas que comprovem as despesas mensais referentes ao uso de todos os veículos do Estado das instituições e empresas públicas. Pois, não consigo entender porque razão os veículos das instituições (Chapa Amarela) são usados para transporte privado de funcionários, quando temos transporte público no país. Um país pedinte, como Cabo Verde, nunca avançará enquanto não for capaz de se livrar desse parasitismo e mentalidade destruidora do erário público. Também, não podemos deixar de reconhecer que se a justiça funcionasse talvez tudo isso não estaria a acontecer e nem os funcionários públicos estariam a destruir o que é de todos. A sociedade civil cabo-verdiana também anda a dar um mau sinal, demonstrando estar aquém das suas capacidades e sem exigências específicas. Se a população não for capaz de se livrar da mentalidade destruidora do erário público, nada mudará nesta terra. Reconhecemos que alguns adirem a algumas actividades cívicas pontuais, mas outros nem por isso. Muitos por medo de represálias institucionais outros por continuarem a ser manietados pelos representantes dos partidos políticos nas ilhas ou terem a mesma mentalidade parasita dos que usam o erário público para ganhos pessoais. Estamos numa sociedade onde pouca gente quer se dar ao trabalho de refletir e ou equacionar as ações dos supostos representantes das populações e encontrar uma solução plausível para se alcançar o desiderato populacional.

Existe uma conivência social muito preocupante que até ficamos com a impressão de que muitos nem querem dar-se ao cuidado de pensar e ou meditar sobre os efeitos nefastos das ações politico-institucionais desses responsáveis nacionais, regionais e locais. Será que pensar passou a custar tanto, que a maioria nesta sociedade cabo-verdiana sente-se incapaz de analisar e repudiar atos nefastos dos que deviam estar a trabalhar para o bem da Nacao? Ás vezes até fico com uma impressão desoladora de que a maioria já se conformou de tal forma com estas anomalias que preferem seguir a manada em vez de repudiar e ou rejeitar abertamente os muitos erros e abuso do poder dos que estão ao serviço do povo. Aliás, temos uma nação totalmente politizada onde se produz, diariamente, “lambe botas”, parasitas sociais, etc. Os responsáveis institucionais nem têm tempo para analisar e tentar implementar exemplos que possa ser adaptada à nossa realidade nacional. A maioria das populações continua se deixando ser manietada e silenciada pelos políticos e seus “meninos de mandod”. Repetindo o que já havia escrito neste espaço de opinião, “Governar um país é Gerir os bens do povo”, não podemos admitir que os eleitos continuem com esse parasitismo político institucional.

Temos que ser capazes de aprender a respeitar o Povo Sofredor e saber aplicar medidas que sejam benéficas para o bem estar do país, no seu todo.

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