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MpD reage com “estupefacção” às denúncias do PAICV sobre a instrumentalização da comunicação social pública 13 Outubro 2017

O Movimento para a Democracia (MpD-no poder) reagiu, hoje(12), com “estranheza e estupefacção” às denúncias da líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) sobre a instrumentalização da comunicação social pública, em particular da TCV.

MpD reage com “estupefacção” às denúncias do PAICV sobre a instrumentalização da comunicação social pública

O secretário-geral Adjunto do MpD, Carlos Monteiro, reagiu assim em conferência de imprensa, na Praia, às declarações desta quarta-feira de Janira Hopffer Almada, que depois de um encontro com o Conselho da Administração da Rádio Televisão de Cabo-verdiana (RTC), disse que o seu partido tem a “clara percepção” de que está a ocorrer “alguma instrumentalização da comunicação social pública em Cabo Verde, particularmente da Televisão de Cabo Verde (TCV)”.

“É com estranheza e estupefacção que o MpD tomou conhecimento, via RCV e do jornal da noite da TCV, das declarações da presidente do PAICV sobre os serviços noticiosos da empresa pública. A nosso ver, tratou-se, pois, de uma tentativa grosseira, grave, inédita e prejudicial para a imagem internacional do país de influenciação, de pressão e de condicionamento à imprensa e aos jornalistas do serviço público de comunicação”, frisou.

No final do encontro com os responsáveis da RTC, Janira Hopffer Almada, que encabeçava uma delegação do seu grupo parlamentar, disse igualmente que o seu partido tem constatado também que “vários factos de relevância nacional” não têm merecido “tratamento devido” por parte da TCV, questionando sobre os critérios que têm determinado o tratamento jornalístico que vem sendo dado ao maior partido da oposição.

Para o deputado do MpD, a líder do maior partido da oposição passou “um atestado de incompetência” a todos os profissionais da empresa pública, já que as suas acusações centram-se numa suposta “instrumentalização do canal, na ausência do debate político que dê lugar aos partidos, e na falta de critérios claros e rigorosos de tratamento das noticias”.

No seu entender, Janira Hopffer Almada insinuou que os profissionais se deixam instrumentalizar e que, propositadamente, não fazem programas políticos, “como se o papel do jornalismo fosse o de estender tapete à oposição e, mais grave, acusando a classe jornalística de ser pouco rigorosa e de ter critérios pouco claros”.

“São acusações graves, diríamos até gravíssimas, quando são feitas por uma líder de um partido que deixou o Governo recentemente”, acusou, sublinhando que é “inédito” em democracia que uma presidente de partido e um vice-presidente do partido, Rui Semedo, que é antigo ministro da tutela da comunicação social, visitem as instalações da RTC para dar lições de como fazer jornalismo e de critérios que devem marcar os serviços.

Carlos Monteiro ressaltou também o facto de a líder do PAICV exigir “igual tempo de antena” nos serviços noticiosos do país, “como se as notícias fossem tempos de antena de partidos e como se o trabalho jornalístico devesse estar ao serviço dos partidos”, defendendo que esta oposição está a “confundir práticas do seu tempo de governação com a nova postura deste Governo” que, disse, prima pela “imparcialidade e pelo total distanciamento” na definição da pauta jornalística.

Na óptica do MpD, as afirmações e a postura da presidente do PAICV configuram um “grave atropelo” às práticas democráticas e à atitude que se esperaria da líder do maior partido da oposição, porque , sublinhou, “quem quer fazer parte dos serviços noticiosos deve ter uma agenda relevante”, assim como quem “deve decidir a relevância da agenda são os órgãos de comunicação social e os profissionais do sector, e não os partidos”.

Segundo o secretário-geral Adjunto do MpD, a RTC deve estar ao serviço dos interesses públicos, motivo para considerar que as afirmações da presidente do PAICV e deputada da nação demonstram, também, um “total desconhecimento” do sector, das regras e da ética que devem reger o relacionamento entre os partidos e os órgãos de comunicação social.

Dada a “gravidade da situação”, Carlos Monteiro espera que a Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) tenha todos os dados para “sair em defesa” dos jornalistas que foram “claramente afectados na sua honra e dignidade”. Inforpress

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