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Morte de adolescente ido de Cuba para remover tumor em Miami gera controvérsia 24 Janeiro 2018

A morte de Emanuel Zayas, de 14 anos, que tinha sido operado uma semana antes, no dia 12 deste mês, a um tumor de quase cinco quilos, está a gerar muita discussão nos meios de comunicação social, com as posições a extremarem-se.

Morte de adolescente ido de Cuba para remover tumor em Miami gera controvérsia

A notícia da sua morte, divulgada esta sexta-feira, 19, está a dividir a comunidade internacional dos internautas. Decerto o caso irá ser motivo de estudos, com impactos diversos na nossa sociedade cada vez mais transnacional, designadamente para levar a mudanças na saúde pública.

A intervenção de risco foi, para uns, considerada uma ação benemérita. Muitos abençoam a equipa médica por ter tentado a difícil operação, que iria devolver alguma qualidade de vida ao infeliz rapaz.

Para outros, tratou-se de uma operação que juntou o marketing e a política. É que, como se sabe, em Miami vive uma diáspora que se opõe há meio século ao regime cubano e continua tenazmente a luta para a mudança política, social e económica.

Assim, há quem acuse esses cubanos do exílio de terem, na alegada intervenção benévola da equipa médica da universidade americana, aproveitado mais uma oportunidade para pôr em causa a administração do país de Fidel. Tanto mais que a medicina é um dos sectores em que Cuba tem recebido muitos louros, figurando entre os países com melhor assistência médica e medicamentosa a nível mundial.

Além das posições suscetíveis de serem tidas como críticas infundadas, todavia há uma pergunta justa que muitos fazem. Interroga-se a razoabilidade da decisão do afamado cirurgião Robert E. Marx, da Unidade de Cirurgia Oral e Facial da Universidade de Miami.

Nessa linha, muitos criticam a decisão de operar que, alegam, apenas visou reprovar a medicina de Cuba, pondo em causa a competência dos médicos que acompanharam o rapaz desde o seu nascimento.

Os pais relataram, durante a conferência em dezembro, que o menino nasceu com a doença da displasia fibrosa poliostótica. Os médicos decidiram controlar com medicação essa doença, que transforma osso em tecido. Porém, ao chegar à puberdade, há cerca de dois anos, o que era um quistozinho na narina esquerda começou a crescer. Os médicos cubanos decidiram apostar na medicação para inverter o crescimento do que diagnosticaram como um tumor benigno. Mas os pais desesperados recorreram à comunidade radicada em Miami. A boa-vontade de todos os que se comoveram com o caso cifrou-se em donativos que atingiram mais de duzentos mi dólares (a rondar os vinte mil contos) para pagar as despesas médicas no Holtz Hospital for Children.

Corpo doado à ciência

Os pais de Emanuel, afirma o cirurgião ao anunciar publicamente a morte do rapaz, "encontram conforto em doar o corpo de Emanuel à pesquisa médica na esperança de aprender mais sobre esta doença rara e ajudar as pessoas em todo o mundo que sofrem com ela", lê-se no Facebook do Dr. Robert E. Marx.

Aliás, constata-se na mesma página que a "jornada com Emanuel e sua família" começou em dezembro e incluiu uma conferência de imprensa com a equipa médica, Emanuel e os pais. Foi aí anunciada a data da operação, em janeiro, com a duração prevista de dez a catorze horas.

Insucesso da cirurgia justificado

O cirurgião justifica que "aparentemente, o stress fisiológico da cirurgia excedeu o limite que a sua anatomia comprometida podia suportar. As nossas esperanças de o salvar, e permitir-lhe uma melhor qualidade de vida, ficam assim por realizar".Fontes: CBS, Miami Herald, outras referidas.

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