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Miss Mundo já não desfila em biquíni – pela dignidade 11 Julho 2017

As candidatas ao ‘Miss Mundo’ (entre elas a Miss Cabo Verde, Cristilene Pimenta, na foto) já não têm de desfilar em biquíni (bikini) para a sua beleza ser avaliada. É uma vitória saudada por vários movimentos sociais, entre eles feministas, que ao longo de mais de meio século, combateram essa prática. Em nome da libertação das mulheres, da dignidade humana ou outras bandeiras, esse foi um combate que teve aderentes e detratores.

Por: Francisca Serra

Miss Mundo já não desfila em biquíni – pela dignidade

Os concursos de beleza existem desde tempos imemoriais e a lenda conta de três concorrentes, todas belas: Vénus, Juno e Atena/Minerva — a beleza, a compaixão e a inteligência/técnica. A versão moderna nasceu em 1951 através do ’Miss Mundo’, concurso idealizado por um inglês. Ao longo destes 66 anos, muita tinta correu.

Em novembro próximo o mundo estará de olhos em Shenzen, China, onde as representantes de centena e meia de países vão desfilar, mas sobretudo, vão mostrar que são, além de belas, inteligentes e solidárias. Então, reunidos todos esses atributos, o júri decidirá quem é a mais bela do mundo.

Por ocasião da 67ª edição, lembremos que movimentos não só feministas, mas também de direitos humanos e da criança, têm vindo a apontar os malefícios de concursos em que a beleza feminina é medida segundo padrões que conduziam à objectualização da mulher.

O surgimento de concursos destinados à infância, os mini-miss, mais que acendeu o debate. Muitos apontaram a crescente sexualização das crianças do sexo feminino que tais concursos estariam a fomentar, com consequências desastrosas. Não só no desenvolvimento e bem-estar psíquico e moral da criança, mas também pelas incidências relacionadas com a pedofilia que muitos têm vindo a apontar.

A presidente do “Miss Mundo” — concurso que teve a sua primeira edição em 1951 –disse a uma revista feminina “Ver mulheres a desfilar em bikinis não contribui em nada para os jurados (decidirem). Também não contribui em nada para o avanço da mulher. E não contribui em nada para (o avanço de) ninguém”.

“De que me serve saber se uma tem mais dois dedos de ‘bumbum’ que outra? Isso tem de deixar de ser importante. O que tem de passar a ser importante é o que ela tem para nos dizer”, acrescentou a organizadora, Julia Morley, de 74 anos, a viúva de Eric Morley, criador do concurso que já vai na sua 66ª edição.

Nas fotos Getty Images: ao alto, a única mulher de raça negra que venceu o concurso. Em rodapé: a primeira Miss Mundo, a sueca Kiki Håkansson, coroada no palco em biquíni.

Foi em 1951 e a partir daí todos os concursos passaram a incorporar um desfile em biquíni – para contentamentos muitos e descontentamentos imensos.

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