Caso Monte Tchota

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Ministério Público faz pedido formal para investigar caso 11 Maio 2016

O Ministério Público formalizou esta semana um pedido ao Estado-Maior das Forças Armadas solicitando o envio do processo do Monte Txota para que seja investigado, informou fonte bem posicionada no assunto. Para o intermediário deste jornal, caso o pedido for aceite pelas Forças Armadas, o Ministério Público deverá delegar competências à Polícia Judiciária, única instituição que é considerada capaz de esclarecer um crime dessa natureza.

Ministério Público faz pedido formal para investigar caso

“Quem deveria investigar um crime dessa complexidade seria a Polícia Judiciária Militar, já que o crime foi cometido numa zona militar e por um militar. Mas, como não há uma PJ Militar, deve ser a polícia científica a investigá-lo. A questão é saber se essa investigação deve ser enquadrada na lei militar”, explica a mesma fonte para quem, caso a parte criminal ficar sob a competência da PJ, as FA devem seguir com o processo disciplinar.

Conforme explica nossa fonte, a instituição castrense não tem gente qualificada para desvendar este tipo de caso, cujos contornos tem levantado uma onda de descontentamento na sociedade cabo-verdiana, que não acredita na versão oficial, segundo a qual o crime foi motivado por uma simples briga entre o alegado homicida “Anthony” e um seu colega soldado. A sociedade nacional tem expressado dúvidas sobre a explicação dada, tanto pelo Governo como pelas Forças Armadas, de que o soldado é o único autor dessa barbárie.

Como realça a citada fonte, a única versão que se tem é a do suspeito, cujos dados deverão ser confrontados com os resultados da inspecção feita ao local do massacre e com a autópsia – cujo relatório será emitido pelas autoridades de Saúde proximamente.

A intervenção da PJ, sob a coordenação do MP, vai dizendo a nossa fonte, também deve ir no sentido de não descartar nenhuma hipótese, até porque, na sua opinião, este caso levanta novas suspeições a cada dia. Uma delas é a suposta ligação ao submundo do crime. O incidente ainda é encarado como um eventual acto de vingança do alegado homicida que visaria ainda alguns dos seus parentes além de altas patentes das Forças Armadas.

O facto de após a chacina, o assassino ter roubado as armas também constitui uma peça nesse xadrez, que deve ser estudada, bem como outra hipótese, que é aventada no seio policial: o visado terá colocado algum sonífero na comida dos colegas militares antes de os ter assassinado.

Segundo uma fonte oficial do Governo, Anthony confessou ser o autor do crime de Monte Txota. Terá explicado que resolveu vingar-se porque, além de alvo da “chacota” por parte dos colegas do destacamento militar, foi ainda castigado pelo Sargento, que o colocou de serviço em dois turnos seguidos. Terá alegado que queria dessa forma “dar uma lição” às Forças Armadas para que nunca mais ousassem maltratar e submeter a castigos nenhum militar.

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