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Martin Luther King é mais um a inspirar os meus Sonhos Eutópicos 06 Abril 2018

O sonho de que um dia o paraíso terreal voltará a existir – está também em “I have a dream”, o mais famoso dos discursos que conhecemos ao reverendo Martin Luther King. Voltará a existir aquele paraíso que existiu para nós, no pouco tempo que durou a infância, antes que a serpente da inveja, da preguiça, da irreflexão entrasse no nosso universo puro. O Sonho é a via para a Eutopia, o bom lugar.

Martin Luther King é mais um a inspirar os  meus Sonhos Eutópicos

Por: Matilde Segredo

Direitos iguais são a condição necessária para que o paraíso terreal volte a existir, eis o cerne do ativismo de Martin Luther King. Do alto do púlpito, primeiro na sua igreja de Montgomery, Alabama, onde começou aos vinte e cinco anos a sua missionação.

A sua igreja servia para rezar, mas ia muito mais além. Era o lugar onde a dita população de cor podia expor os seus problemas, falar dos seus sonhos, rompendo assim as barreiras da segregação racial que os fustigava nesse sudeste americano. Cem anos depois de abolida a escravatura, a “população de cor” não gozava dos mesmos direitos que os demais cidadãos.

O seu ativismo consolida-se quando em 1955 é chamado a intervir no episódio Rosa Parks. Ela foi levada para a prisão porque, cansada ao fim dum dia de trabalho, recusou levantar-se para dar o seu lugar a um branco. Uma lei injusta não é para ser cumprida – pensou ela.

King disse aos que o chamaram que tinham de pôr de pé um plano audaz: ninguém ia utilizar os autocarros até que o poder municipal mudasse a lei. A luta durou meses. Os de cor iam a pé para o trabalho ou conseguiam boleia com quem tinha carro. O município perdia receitas.

O município decidiu mudar a lei. O braço de ferro fora ganho pela população segregada de Montgomery. Uma vitória que foi um sinal poderoso para as populações segregadas de outras partes da América. Agora tinham a prova de que podiam obter direitos iguais se buscassem a sua realização mantendo-se unidos e organizados na sua reivindicação.

Na década que se seguiu, muitos dos movimentos cívicos organizados viram em King o líder de que precisavam para mudar “a lei injusta que dava a uns mais direitos, com base apesar na cor da pele”.

Em 1964, o governo dos Estados Unidos respondeu aos apelos dos movimentos cívicos: criou a Lei dos Direitos Civis

É certo que a medida legal não funcionou como uma varinha de condão, pois as mudanças de mentalidade demoram tempo a obter adesão dos diferentes estratos da sociedade. Também na América dos anos sessenta, a Lei dos Direitos Civis é um importante marco, mas que não impediu que o ódio racial levasse ao assassinato de Martin Luther King em 4 de abril de 1968.

Martin Luther King acreditou que ainda podemos tornar o mundo mais igual, o lugar da Eutopia. Como? Cada um vai encontrar o seu caminho para realizar o seu Sonho Eutópico... Eu, por mim, faço o caminho-prova-de-resistência que é tornar cada um dos meus sonhos uma realidade!

Foto: Getty Images. Dr. Martin Luther King Jr. profere "Eu, Tenho um Sonho", no Memorial a Lincoln em Washington DC, na Marcha de Washington por Emprego e Liberdade, mais conhecida por Marcha da Liberdade, 28 de agosto de 1963.

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