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Impacto do mau ano agrícola com intensidade no Porto Novo : Líder local da oposição contesta Presidente sem capacidade de liderança e trabalho 17 Outubro 2017

«Na verdade, temos um Presidente sem capacidade de liderança e de trabalho, Vereadores inexperientes, uma Câmara sem visão de Futuro! Continuamos sem saber que rumo é que se quer dar ao Concelho». A advertência é da líder do PAICV no Município do Porto Novo de Santo Antão, que classificou hoje, em conferência de imprensa, de muito negativo o primeiro ano de mandato do actual executivo chefiado por Aníbal Fonseca. Preocupada com a situação difícil que se vive no Município, Elisa Pinheiro pede ao governo e à autarquia para tomarem medidas urgentes no sentindo de se atenuar «o impacto do mau ano agrícola que se faz sentir com intensidade no concelho», principalmente nos meios rurais.

Impacto do mau ano agrícola com intensidade no Porto Novo : Líder local da oposição contesta  Presidente sem capacidade de liderança e trabalho

A jovem dirigente tambarina faz questão de fundamentar que o balanço que se faz deste mais de um ano de governação do MPD na Câmara Municipal do Porto Novo, é extremamente negativo, já que limitou apenas a concluir alguns projectos herdados da gestão anterior. «Aliás, é a própria Câmara que classificou de medíocre o seu desempenho, ao dizer, na última Sessão da Assembleia Municipal, que apenas conseguiu cumprir 35% do seu Plano de Actividades», elucidou.

Diante disto, Elisa Pinheiro desafiou o Governo e a Câmara Municipal a cumprirem com os compromissos assumidos e responder às inquietações dos munícipes, que estão a aumentar por causa do impacto negativo da seca no concelho. «Considerando que as chuvas estão a demorar a cair, e que o impacto negativo de um mau ano agrícola já se faz sentir com grande intensidade neste Concelho, gostaríamos igualmente de perguntar ao Governo e à Câmara Municipal quando é que vão implementar o tão falado plano de emergência para socorrer a população deste nosso município, que é maioritariamente composta por agricultores e criadores de gados, colmatando assim o agravamento da situação. E do mesmo modo, solicitamos à Câmara Municipal que apresente propostas concretas para o Fundo do Turismo e a Taxa Ecológica que são disponibilizados para apoiar os agricultores e promover o emprego no Concelho, uma vez que o programa de emergência para Santo Antão, decretado pelo Governo em 2016, já chegou ao fim, e para além das obras inacabadas, os agricultores ainda aguardam para serem contemplados a nível da recuperação das suas propriedades agrícolas», enfatizou.

Compromissos e Câmara a ritmo de caranguejo

Referindo-se às promessas eleitorais, a 1ª secretário do PAICV no Porto Novo lembrar que a equipa Camarária liderada por Aníbal Fonseca assumiu durante a campanha eleitoral inúmeros compromissos com os portonovenses. Promessas que, segundo ela, vão desde a melhoria e a construção de estradas de penetração às localidades do interior do Concelho, ajuda às famílias carenciadas, apoios aos sectores do turismo, da agricultura e da pesca e da pecuária. Isto sem contar com a construção de polivalentes, melhorias de polidesportivos cobertos, campos de futebol, inclusive relvados em algumas zonas do Concelho.

«E neste momento, cabe-nos perguntar ao MPD o que já fez para Porto Novo. Pois, o que verificamos neste momento, e que os próprios munícipes facilmente chegarão a conclusão, é que: As expectativas encontram-se totalmente frustradas; Temos um Município cada vez mais pobre; Não existem políticas/medidas capazes de estimular e promover empregos e rendimentos às famílias; Temos um desemprego em massa em todo o território municipal, abrangendo chefes de família, com enfoque para as mulheres e os jovens; Houve despedimento de vários Quadros Jovens recém-formados, para poderem enquadrar pessoas afectas ao MPD, motivado por compromissos políticos, e no entanto, temos Delegados, sem o perfil exigido pela lei, na maioria das Delegações Municipais; Constata-se também um enorme retrocesso nos Serviços de Saneamento Básico», quantificou.

Elisa acrescenta que a população do interior do Concelho «sente-se completamente abandonada, uma vez que a actual Equipa Camarária não tem demonstrado vontade e capacidade de trabalho para resolver os problemas que fustiguem essas localidades, verificando-se uma alarmante penúria de água não apenas potável, mas também para o gado».

Referindo à comunicação, a primeira secretária do maior partido da oposição no Porto Nova avança que a situação complica-se cada vez mais, «porque as chamadas obras de melhoramento ou de reconstrução das estradas de acesso e caminhos vicinais decorrem a passos de caranguejo», havendo zonas onde nem se quer iniciaram-se, apesar do prazo para a conclusão se ter expirado.

«No domínio da saúde, a situação contínua alarmante, registando graves problemas no atendimento e na evacuação de doentes. Relativamente à Educação, iniciou-se o novo ano lectivo e ainda os país e os encarregados de educação desconhecem-se quais os apoios da Câmara Municipal, em relação ao transporte escolar. Os pescadores continuam à deriva nos nossos mares e a mercê da sua sorte. Os Operadores Turísticos seleccionados como beneficiários do Programa “ Rota das Aldeias Rurais” de Santo Antão, lançado ainda em 2016, continuem sem usufruir dos prometidos financiamentos, quando com o atual Governo já foram assinados dois protocolos com os municípios de Santo Antão», questionou a dirigente tambarina.

Governo e promessas pendentes

A líder do PAICV no Porto Novo não poupou também críticas ao Governo da República. É que, segundo ela, o executivo de Ulisses Correia e Silva já se aproxima para dois anos de governação, mas os portonovenses ainda continuam a aguardar pelo cumprimento dos diversos compromissos assumidos durante as campanhas eleitorais. São, conforme enumera, os casos de Emprego para todos os Jovens do Município, mais formação e bolsas de Estudo, também para os Jovens locais.

Lembrou ainda que o MpD prometeu rendimento de inclusão para todas as famílias, isenção de impostos para as Micro e Pequenas Empresas. «Mas ao invés de termos um Governo que dizia amigo dos contribuintes, temos um Governo desconfiado, onde microempresários vão estar agora “com a corda no pescoço” e até sujeitos a ameaças de prisão. Isto sem se falar da construção da 2.ª fase do Caís do Porto Novo no sentido de alavancar o Turismo de Cruzeiros, e o Aeroporto de Santo Antão, onde, ao invés de se falar do arranque das obras conforme prometido, fala-se de estudos», recorda a líder do PAICV no Porto Novo.

Elsa Pinheiro fez, no entanto, questão da realçar que o seu PAICV quer protagonizar uma oposição cítrica e responsável no concelho, tendo em primeiro lugar as legitimas preocupações dos munícipes. «O PAICV, enquanto partido de valores e princípios, e oposição no Município do Porto Novo, assumiu para com os portonovenses o compromisso de fiscalizar as acções da Câmara Municipal com seriedade e responsabilidade, não apenas criticando as más políticas, mas apresentando também alternativas e soluções credíveis, defendendo firmemente os legítimos interesses do Concelho», conclui a primeira secretária local do PAICV.

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