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Dança:Leão de prata de Veneza para a coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas 18 Janeiro 2018

A Bienal de Veneza decidiu atribuir, na área da dança, o Leão de Ouro de carreira à coreógrafa norte-americana Meg Stuart enquanto o Leão de Prata, atribuído a uma promessa nesta área, será entregue à coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas.

Dança:Leão de prata de Veneza para a coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas

Em comunicado citado pelo DN-PT, a Bienal explica que o reconhecimento das duas artistas foi proposto pela diretora para a área da dança Marie Chouinard e aceite pelo Conselho de Administração da Bienal de Veneza, presidido por Paolo Baratta.

"Considerada um dos maiores talentos da sua geração, Marlene Monteiro de Freitas tem sido a surpresa das últimas temporadas, com a sua presença eletrizante e a força dionisíaca dos seus espetáculos", explica o comunicado. "Interessada na ’metamorfose’ e na ’deformação’ - eco provável da tradição carnavalesca da sua ilha nativa, Cabo Verde. Os híbridos criados por Freitas desafiam musical e alegremente os limites do esteticamente correto. Trabalhando sobre as emoções e não sobre os sentidos, as suas coreografias abrem o imaginário para a multiplicidade desenfreada do ego (e da motivação)", lê-se ainda na mesma nota.

Segundo o mesmo diário digital, a cerimónia de entrega do Leão de Ouro realizar-se-á a 22 de junho, na abertura do 12º Festival Internacional de Dança Contemporânea. Nesta ocasião, Meg Stuart e a sua companhia, a Damaged Goods, apresentarão o espetáculo Built to Last (2012), que em junho de 2017 este no Teatro Municipal Maria Matos, em Lisboa. O Leão de Prata será entregue a 28 de junho. Marlene Monteiro de Freitas apresentará então a sua última peça, Bacantes - Prelúdio para uma purga, a partir de Eurípedes, espetáculo estreado em abril do ano passado no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, tendo sido depois apresentada em vários locais, no país e no estrangeiro.

Percurso de Marlene e felicitação do Governo

Marlene Monteiro Freitas nasceu em Cabo Verde onde co-fundou o grupo de dança Compass. Aos 18 anos mudou-se para Lisboa. Estudou dança na P.A.R.T.S. (Bruxelas), na E.S.D. e na Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa). Trabalhou com Emmanuelle Huynn, Loic Touzé, Tânia Carvalho, Boris Charmatz, entre outros. Criou as peças De marfim e carne - as estátuas também sofrem (2014), Paraíso - colecção privada (2012-13), (M)imosa (2011) com Trajal Harell, François Chaignaud e Cecilia Bengolea, Guintche (2010), entre outras. É co-fundadora da P.OR.K, estrutura de produção sediada em Lisboa.

Conforme ainda o DN, nas anteriores edições, o Leão de Prata da dança foi atribuído aos Estúdios Anne Teresa De Keersmaker (2010), o italiano Michele Di Stefano (2014) e a canadiana Dana Michel (2017).

Entretanto, o governo, através do Ministério de Cultura e indústrias Criativas, considera a conquista de Leão de prata por Marlene Freitas como um feito histórico e como momento alto para a cultura cabo-verdiana

O ministro Abraão Vicente firma que esta é a mais importante e prestigiosa premiação atribuída a um artista cabo-verdiano nas artes cénicas e dança a criação contemporânea desde dos primórdios da nação. «Em outros sectores da cultura apenas encontramos paralelo no Grammy recebido pela Cesária Évora».

Para o titular da pasta da Cultura e das Indústrias Criativas, a medalha atribuída agora a Marlene Monteiro Freitas é não só um reconhecimento ao trabalho que a coreógrafa cabo-verdiana apostou desde os 18 anos, quando deixou Cabo Verde rumo à Europa para estudar a dança, mas também um feito histórico e um momento alto para a cultura cabo-verdiana.

«Cabo Verde orgulha-se de do trabalho da nossa artista e criadora Marlene Freitas que assim se transforma num exemplo a seguir pelo jovens cabo-verdianos. Freitas é um exemplo positivo à nova geração de criadores cabo-verdianos pela disciplina, técnica, empenho e capacidade de inovação. Marlene torna-se assim um orgulho nacional, pelo que fica o desafio a todos os cabo-verdianos de incorporarem a importância deste prémio na sua própria história. Esta premiação é também um desafio ao Estado de Cabo Verde para melhorar e criar novos metodologias d ensino voltado para as artes no sentido de se propiciar a desenvolvimento de mais talentos de alto nível como é o caso de Marlene Freitas», diz o ministro. para quem Marlene Monteiro de Freitas tornou-se uma das mais aclamadas coreógrafas e bailarinas na Europa e isso vem se traduzindo nas distinções que vem recebendo nos últimos anos.

Lembra que só em 2017, a coreógrafa recebeu duas distinções. A primeira, em março de 2017, como a melhor coreógrafa de 2017 em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Autores, com a obra “Jaguar”, e a segunda pelo Governo de Cabo Verde que lhe atribuiu a medalha de mérito cultural de 2º grau, no âmbito do Dia Nacional da Cultura, celebrado a 18 de outubro.

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