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Júlio Lopes: “Vamos transformar Santa Maria em uma cidade turística de nível internacional” 12 Dezembro 2016

O Presidente da Câmara Municipal do Sal concedeu ao jornal A Semana a sua primeira entrevista a um órgão de comunicação, desde o empossamento. Numa conversa descontraíada, Júlio Lopes afirmou que está empenhado em provar aos municipes que o elegeram que as promessas feitas durante a campanha são para cumprir. Insatisfeito com o estado das ruas da cidade mais turística do país, o edil promete dedicar o primeiro ano do seu madato a transformar Santa Maria em uma cidade turística de nível internacional.

Entrevista por: Susana Rendall Rocha

Júlio Lopes: “Vamos transformar Santa Maria em uma cidade turística de nível internacional”

- O seu antecessor liderou a Câmara Municipal do Sal durante três mandatos consecutivos. Como novel edil, o que está a fazer para aprofundar a relação com os munícipes salenses?

- Um eixo importante da nossa gestão é a proximidade. Queremos estar próximos dos munícipes de forma sistemática, passando as nossas mensagens mas auscultando também os anseios da população da ilha de forma a que esta sintonia se traduza numa melhor performance da câmara municipal. E no quadro da nossa estratégia de melhorar a comunicação com os munícipes queremos contar com o apoio dos órgãos de comunicação social, nomeadamente jornais online e rádios comunitárias para servir de canal, claro está dentro dos limites e restrições da liberdade de imprensa que muito respeitamos. Acreditamos que a comunicação é um elemento importante para o desenvolvimento, promovendo a participação das comunidades na resolução dos seus problemas.

- Disse que a juventude seria uma das prioridades da sua gestão. Qual é a sua política para a juventude da ilha?

- De facto, temos duas prioridades máximas que assumimos desde o início. A requalificação urbana e a adaptação das nossas cidades ao desafio do desenvolvimento e a juventude. A juventude é a prioridade número um desta câmara. Mas isso não é só conversa, vai estar plasmado no orçamento da câmara municipal, com destaque para a formação jovem que é a nossa pedra de toque. A pensar no nosso compromisso com os jovens do Sal abrimos recentemente o ensino superior nesta ilha e já estão a decorrer dois cursos superiores, o de Direito e o de Gestão Turística e Hoteleira. Já dedicamos um montante importante para o empreendedorismo jovem e para a dinamização do espaço jovem, como forma de promover a cidadania juvenil. Para que os nossos jovens possam também desenvolver as suas capacidades ao nível da inovação, da criação de negócios e dinamizar a participação cívica da juventude. Associado à juventude estão ainda o desporto e a cultura. Já está a decorrer um programa de protocolos entre a câmara municipal e as equipas federadas do Sal e vamos apoiar de forma significativa a constituição de academias de futebol para as equipas federadas, imitando o exemplo muito bom do Académico do Sal. Isso irá ter um impacto enorme na formação desportiva do jovem e pelo apoio que vamos dar iremos exigir o retorno que é a formação desportiva para a nossa juventude. Outra área importantissima é a cultura. Criamos o chamado fundo para o desporto e a cultura, de forma a dinamizar a actividade cultural que, como se sabe, é feita sobretudo pela juventude para que os jovens possam dedicar-se ainda mais à música, produzir os seus cd’s, livros, artesanato, enfim as mais diversas áreas da cultura, fazendo despontar a sua criatividade. O investimento no desporto e na cultura também visa projectar a ilha do Sal no âmbito nacional pois queremos que a ilha continue a ser uma referência a nivel da cultura e seja também a nível do desporto. Vamos agora investir num programa denominado apoio à autoconstrução pois como sabe a ilha do Sal tem um deficit habitacional muito grande e os casais jovens e as pessoas mais carenciadas serão os principais beneficiários. Vamos destinar dezenas de milhares de contos para apoiar aqueles que mais precisam da ajuda da câmara municipal para concretizar o sonho da casa própria.

- Estamos na ilha mais turísstica do país por isso é um tema que não podemos ignorar. Como vê o desenvolvimento turístico do Sal?

- A avaliação do turismo tem que ser feita de primas diferentes. De facto, o Sal é a primeira ilha turistica do país. Albergamos grupos e marcas de renome internacional e, na minha opinião, o desenvolvimento do turismo deve-se essencialmente à iniciativa privada. No quadro da estratégia do turismo sustentável cabe aos investidores privados a construção das superestruturas como os hotéis, os resorts, os restaurantes e cabe ao poder público o papel de promover essa actividade privada. Em relação à participação do poder público aqui na cidade de Santa Maria considero que é muito negativa. Às vezes penso como foi possivel termos permitido o que aconteceu aqui no Sal. O governo anterior fez um bloqueio à Cãmara Municipal do Sal a ponto de a autarquia não ter recebido um tostão da taxa turística. O que se passou aqui foi vergonhoso e lamentável e felizmente este novo Governo veio com outra matriz e percebeu a importância desta ilha. Como se sabe, já foi aprovado para o orçamento de Estado de 2017 uma participaçao significativa da taxa turística, 50% das receitas arrecadadas do turismo será devolvido à ilha. O que perfaz 204 mil contos e a nossa Câmara vai dedicar essa verba para a requalificação urbana para que os turistas possam sair mais e visitar as cidades do Sal e assim potenciar o comércio local para que os nossos empresários possam fazer mais negócios. Veja o estado da Rua 1 de Junho, por exemplo. A principal rua da cidade de Santa Maria está completamente esburacada. Nós vamos utilizar a verba da taxa turistica para requalificar esta rua e torná-la numa rua pedonal, mas com estética, com uma calçada artistica porque a nossa ambição é transformar Santa Maria numa cidade turistica de nivel internacional.

- Além da Rua 1 de Junho que será em breve uma rua pedonal, há mais ruas da ilha que serão objecto de obras de melhoramento pela Câmara Municipal?

Sim. Como sabe, na cidade de Espargos inauguramos no passado sábado a Rua 3 de Agosto completamente reabilitada. Foram empenhados perto de 43 milhões de escudos dos cofres da Câmara Municipal para a reabilitação dessa rua e a construção da Praça de Água. Vamos também requalificar a rua em frente à praia de Santa Maria, a rua do Ocean Café, toda a área habitacional da Praia de António Sousa, a zona de São Paulo. Enfim toda a cidade de Santa Maria será reabilitada. Além disso, a cidade contará em breve com um corpo de Bombeiros e aqui devo dar os parabéns ao Vereador da cidade de Santa Maria, Herminio Monteiro, que já localizou um espaço para a sede da Unidade de Protecção Civil de Santa Maria. Dentro de semanas chega uma ambulância que fomos buscar a Portugal e ainda um carro de bombeiros para que a Protecção Civil possa estar em condições de cumprir da melhor forma o seu papel. Vamos transformar completamente toda a cidade de Santa Maria, coisa que já poderia ter sido feita há muito tempo mas, como diz o ditado, mais vale tarde do que nunca. Neste primeiro ano vamos nos concentrar em Santa Maria, pois em Espargos dentro de poucas semanas lançaremos a primeira pedra para a construção da rede de esgotos e, por conseguinte, teremos de fazer muitos buracos para posteriormente asfaltarmos as ruas de toda a cidade de Espargos.

- Outro grande e antigo problema da ilha são os bairros degradados e as habitações clandestinas. Também estão previstas medidas de combate aos bairros de lata?

- Sim. Uma outra parte importante da verba da taxa turística será empenhada no nosso programa de eliminação dos bairros degradados de Terra Boa, Alto de São João e Alto de Santa Cruz. Vamos iniciar um processo de requalificação destas localidades, com calçadas, iluminação pública, água canalizada e eletricidade. Incentivar as pessoas a construir as suas casas de blocos e eliminar os bairros de chapa. Pensamos que não é justo que numa ilha com uma contribuição tão importante para Cabo Verde, onde temos a maior parte da população a trabalhar no turismo, contribuindo para gerar riqueza e para o desenvolvimento do nosso país, as pessoas vivam nestas condições. Não só os bairros de lata mas também outras zonas serão requalificadas para que aqueles que mais trabalham possam viver com dignidade e possam ser verdadeiramente felizes na ilha do Sal.

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