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Helder Martins lança o livro Casa dos Estudantes do Império em Lisboa 13 Julho 2017

O auditório da UCCLA, em Lisboa, foi, nesta quarta-feira, palco do lançamento do livro Casa dos Estudantes do Império – Subsídios para a História do seu período mais decisivo (1953 a 1961), do moçambicano Helder Martins. A apresentação da obra contou com as intervenções de Zeferino Coelho, Filipe Matusse, Maria José Leal e do Embaixador José Augusto Duarte, bem como do Secretário-geral da UCCLA, Vítor Ramalho.

Helder Martins lança o livro Casa dos Estudantes do Império em Lisboa

Além de estar disponível nas livrarias portuguesas com edição Caminho, o livro está à venda em Moçambique desde o dia 10 de Julho e será também comercializado em Angola e Cabo Verde.

Segundo a nota do editor, em Casa dos Estudantes do Império (CEI) o autor utiliza as suas memórias de activista da CEI e faz um importante trabalho de pesquisa histórica, que lhe permite documentar o seu texto com muitas fotos e digitalizações de documentos, nomeadamente, as digitalizações dos Diários do Governo com as decisões administrativas sobre a CEI.

Diz a mesma fonte que Helder Martins revela neste livro a verdadeira data e circunstâncias da criação da CEI, bem como a complicada luta para pôr fim à 1ª Comissão Administrativa. O autor põe ainda em evidência o trabalho realizado pelas cinco direcções democraticamente eleitas pelos estudantes, entre Fevereiro de 1957 e Dezembro de 1960. A sua aturada pesquisa histórica permitiu-lhe afirmar, acredita a nota da editora, que nunca houve nenhuma decisão administrativa a legalizar o encerramento da CEI.

Para o prefaciador Fernando Vaz, este livro de memórias duma época é o testemunho duma etapa histórica da vida de muitos estudantes, que das Colónias vinham para Portugal fazer os estudos superiores.

Já o autor da obra, resume os vários aspectos tratados, com destaque para a Associação de jovens da CEI que tinha de tudo um pouco. “Para mim, esta é a verdadeira face humana da Casa. Uma Associação de jovens onde há de tudo, dos mal-humorados, aos eternos bem-dispostos, dos estudantes exemplares, aos maus estudantes, dos sócios dedicados e empenhados, aos pouco participativos, dos engajados politicamente, aos «apolíticos», dos simpáticos aos antipáticos. Nós éramos como outros jovens nos condicionalismos daquela época. Éramos humanos, com tudo o que há de grandeza na natureza humana e com tudo o que pode haver de mesquinhez. Transformarem-nos hoje em ‘heróis’ é desumanizar-nos!”, descreve Helder Martins.

«Este livro de memórias duma época é o testemunho duma etapa histórica da vida de muitos estudantes, que das Colónias vinham para Portugal fazer os estudos superiores».

Escritor e luta contra fascismo

Conforme a Editorial Caminho, Helder Martins nasceu em Maputo, Moçambique. Em 1953, foi estudar Medicina em Lisboa, onde se formou em 1961. Foi um activista estudantil na Comissão Pró-Associação da Faculdade de Medicina e na Casa dos Estudantes do Império, tendo tido um papel importante, primeiro, na luta para a cessação da 1ª Comissão Administrativa que foi imposta a esta Associação e, depois, na sua gestão. Foi um militante activo contra o fascismo e o colonialismo. Incorporado no serviço militar obrigatório na Marinha, desertou em Novembro de 1961, tendo ido para Tanganica onde foi aceite na UDENAMO.

A fazer fé na mesma fonte, Helder Martins foi um dos fundadores da FRELIMO. Participou na Luta de Libertação Nacional do seu país, tendo sido Director dos Serviços de Saúde da FRELIMO. No imediato pós-Independência, foi Ministro da Saúde durante 5 anos. Foi também funcionário sénior da OMS, onde depois de reformado, participou e dirigiu vários Comités de Especialistas. Martins foi igualmente docente em Saúde Pública em vários países, em três continentes. É Doutor Honoris Causa em Ciências da Saúde e Educação. Tem várias condecorações e Diplomas de Mérito. Helder Martins possui ainda inúmeras publicações, tanto na área da Saúde Pública, como sobre temas históricos e sobre a interacção entre Cultura e Saúde. «Casa dos Estudantes do Império (CEI)», lançado hoje (12), é o seu sétimo livro.

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