OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Gracelino Tavares Barbosa -Atleta que fez de Cabo Verde um gigante no mundo do desporto 29 Agosto 2017

Gracelino Barbosa um jovem humilde que não se dá nas vistas gozando as suas férias no Tarrafal, o seu berço, de forma normal como é o seu próprio estilo, de “short e camisola” não se importando com a fama de “champion” que conquistou em Bangkok. Alguém lhe perguntou com uma boa dosa de curiosidade: __“Moz, abo pamodi bu ka ta anda di karu? A sua resposta foi simples: __Mi n nansi sen karu. Que belo exemplo nesta nossa sociedade de luxo em que no momento o controverso BMW anda na onda da crista. Para alguns já entrou até na moda Mas, isto é conta de um outro rosário que os “expert” em matéria de 4 rodas poderão talvez melhor dissecar.

Por: Nataniel Vicente Barbosa e Silva

Gracelino Tavares Barbosa -Atleta que fez de Cabo Verde um gigante no mundo do desporto

Gracelino Tavares Barbosa um nome que certamente dispensa qualquer tipo de apresentação.

Recorde-se que Gracelino Barbosa é um atleta paralímpico cabo-verdiano que compete na categoria T20.[1] Representou Cabo Verde nos Jogos Paralímpicos de Verão de 2016 no Rio de Janeiro, Brasil, onde conquistou a medalha de bronze nos 400 metros T20, sendo a primeira do país neste evento multidesportivo.[2][3] Em 2015 foi agraciado com a Medalha de Mérito pelo presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca.[4]

Vamos pois, conhecer alguns pormenores sobre o atleta tarrafalense
Gracelino Barbosa, ou simplesmente “Oriku” entre familiares mais achegados e amigos mais próximos nasceu no seio de uma família humilde em Colhe Bicho arredores da Vila a 01 de Fevereiro de 1985. O 2º filho da Sr.ª Isabel Tavares Barbosa (Flora) num grupo de 6 irmãos. De tenra idade, isto é, com dois meses apenas foi entregue aos cuidados da avó: Juliana Tavares, com ela aprendeu a gatinhar até dar os primeiros passos. Fez a sua instrução primária cá na Vila. Passou todo o período da infância, adolescência e juventude em Colhe Bicho em companhia da sua avó. Simples, descomplexado, afável, instruído, sempre de sorrisos nos lábios, muito aberto ao dialogo. Enfim, um verdadeiro “gentleman”.

Uma nota importante: Gracelino Barbosa é bisneto de Nhu Ariki simboa uma outra figura tarrafalense que foi marcante na nossa cultura.

As preferências de Gracelino Barbosa

Dias de Semana: Sábado
Mês: Agosto
Cor: Azul
Crença: Cristianismo
Equipa de futebol: Porto
Estilo de música: Morna
Cantor: Ildo lobo
Animal: Cão
Passatempo: Leitura

Gracelino parte para Portugal

Em 2006 em plena juventude, com a idade de 21 anos depois de ter concluído os estudos secundários no Tarrafal donde é natural como já se fez referência parte para Portugal a fim de prosseguir os estudos aí se licenciou em agronomia, mas nunca trabalhou nessa área. Entretanto, juntando o útil ao agradável fez também um curso de electricista do qual trabalhou durante 2 anos.

Desporto: A primeira prova de fogo

Gracelino Barbosa recorda que a sua primeira participação em atletismo foi em Lisboa. Conta com uma certa piada que a poucos metros da meta, sentiu-se repentinamente um desconforto físico ficando em 2º lugar ganhando uma taça. A partir de então não parou sempre na expectativa de alcançar melhores resultados.

Uma nova aurora desponta na vida desportiva de Gracelino

Ora, o Gracelino parece ter nascido já predestinado ao desporto. Antes da sua partida para Portugal, afirma que o desporto mais concretamente o atletismo foi o seu passatempo favorito. Adianta pois, que tinha nessa altura como treinador um tal Sanhá, um guineense que viveu algum tempo cá na Vila do Tarrafal com o qual ganhou alguma experiência. Experiência que viria mais tarde nas terras lusas se repercutir de forma decisiva na sua carreira desportiva levando-o ao topo na mais alta competição do mundo mas disso vamos abordar um pouco mais a frente.
Em 2010 participou como atleta português em Itália acompanhado de treinador, médico, massagista, ganhando 5 medalhas de ouro.

Incrível mas aconteceu

RTC destaca na altura: ““Na terça-feira, Barbosa sagrou-se campeão do mundo na prova dos 100 metros na categoria t-20 (deficiente intelectual). No dia seguinte, ganhou a segunda, desta feita nos 110 metros barreiras.

Ontem, conquistou a terceira medalha de ouro na prova dos 400 metros barreiras. Horas depois, na cerimónia de encerramento do evento desportivo, recebeu a medalha de melhor atleta masculino do campeonato.

Tudo isto depois de o atleta se ter queixado da falta de apoio das autoridades cabo-verdianas. Confrontado com a situação, o ministro do desporto não se referiu aos desabafos de Gracelino, lembrando que o Governo fez já um estatuto de praticante desportivo de altas competições”.

Com efeito, Gracelino Barbosa não esconde a sua insatisfação afirmando que viajou de facto sozinho para Bangkok e de ter sido abandonado por parte das autoridades cabo-verdianas não obstante ter atempadamente solicitado apoio ao Ministro do Desporto e a resposta foi o silêncio dessa entidade como foi ventilado pelas várias imprensas nacionais.

Confiante nas suas capacidades físicas e psicológicas lançou-se sozinho na aventura (uma luta de Golias e David) tendo em conta que nessa disputa encontravam-se atletas famosos de alta competição todos acompanhados dos seus médicos, massagistas, fisioterapeutas etc. Mas, a força de vontade de triunfar foi maior de que o sentimento de abandono de que fora sujeito num país de clima e fuso horário diferente onde as temperaturas são elevadíssimas. As três medalhas de ouro conquistadas justificam plenamente o sacrifício consentido. Uma felicidade indescritível na vida do atleta. Caso para reforçar o velho adágio popular: Deus escreve certo por linhas tortas.

Com essa brilhante façanha afiança pois que esta vitória o incentiva ainda mais a prosseguir a sua carreira desportiva sentindo-se hoje um atleta de alma e coração. Ressalta pois, que hoje é um atleta profissional reconhecido internacionalmente sublinhando que, ao longo da sua vida desportiva nem tudo na verdade foi um mar de rosas. Que, entretanto, modéstia à parte, os sucessos superam de longe os insucessos na sua vida de atletismo graças ao seu espírito de abnegação e de entrega ao caminho que livremente escolheu. Hoje, Gracelino tem dupla nacionalidade: portuguesa e cabo-verdiana o que lhe facilita as suas deslocações em outras competições.

Gracelino chega a Cabo Verde é recebido triunfalmente

Gracelino ou “Oriku” se assim preferir, na sua simplicidade que o caracteriza nunca teria imaginado que a sua chegada a Cabo Verde teria uma recepção com tanta pompa. Uma dezena de pessoas o esperava no Aeroporto Internacional Nelson Mandela, na Praia. À sua espera contava atletas paralímpicos, familiares e pessoas amigas do Tarrafal, e autarca tarrafalense.

Gracelino Barbosa surgiu no terminal de passageiros com as três medalhas ao pescoço e uma taça em punho. Foi no momento um delírio no aeroporto que o atleta jamais esquecerá. Cartazes de boas vindas, outras mensagens de encorajamentos e gritos de euforia. Surpreso, Gracelino Barbosa afirma que nas suas várias viagens a Cabo Verde foi pela primeira vez que teve uma recepção desta envergadura.

Ora com esta conquista das três medalhas de Ouro Gracelino Barbosa espera mais atenção das autoridades cabo-verdianas. Ora, as boas intenções não faltam, mas, como diz o outro: de boas intenções o inferno está cheio, passo o termo.
O atleta paralímpico foi já recebido por diversas entidades nacionais e foi alvo de uma homenagem por parte da Câmara Municipal do Tarrafal de Santiago.

Gracelino Barbosa recorde-se, conquistou 3 medalhas de ouro na Tailândia, durante o Campeonato do Mundo. Às 3 medalhas juntou-se ainda o troféu de melhor atleta masculino da competição.

Em Londres-Inglaterra

Em Londres o nosso atleta paralímpico internacional cabo-verdiano devido a uma lesão no joelho que já se queixava desde há muito ficou na 4ª posição na final do Campeonato do Mundo de Atletismo de “Londres’2017”, na disciplina dos 400 metros livres T-20.

Gracelino Barbosa um jovem humilde que não se dá nas vistas gozando as suas férias no Tarrafal, o seu berço, de forma normal como é o seu próprio estilo, de “short e camisola” não se importando com a fama de “champion” que conquistou em Bangkok. Alguém lhe perguntou com uma boa dosa de curiosidade: __“Moz, abo pamodi bu ka ta anda di karu? A sua resposta foi simples: __Mi n nansi sen karu. Que belo exemplo nesta nossa sociedade de luxo em que no momento o controverso BMW anda na onda da crista. Para alguns já entrou até na moda Mas, isto é conta de um outro rosário que os “expert” em matéria de 4 rodas poderão talvez melhor dissecar.

Gracelino Barbosa ciente da sua vocação desportiva vai dedicar uma parte da sua vida ao estudo (curso de desporto para treinadores de alta competição) e outra parte como não podia deixar de ser continuar ao atletismo que tanto ama.
Só me resta pois, agradecer ao atleta Gracelino Barbosa a honra de ter partilhado comigo um pouco da sua vida desportiva, augurando-lhe votos de muita saúde e muitos sucessos na sua carreira desportiva e particular.

Termino com a célebre frase de São Beda: A valentia de qualquer soldado só se conhece na guerra. O Gracelino já deu prova disto. Bem-haja!
Hasta lá próxima.

Tarrafal, aos 28 de Agosto de 2017

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