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Fernandinho Teixeira: A ilha do Fogo tem tido um turismo de "resto" 10 Agosto 2017

O crescimento do turismo no Fogo poderia ser maior, porque, segundo operadores locais, o potencial turístico - graças às suas características naturais que proporcionam actividades de montanha e de campo envolvendo o vulcão, os vinhos, o café - não falta. Mas há carência de infra-estruturas e de investimentos. A mesma opinião é partilhada pelo Presidente da Câmara dos Mosteiros, Fernandinho Teixeira, apelidando o turismo no Fogo de “turismo de resto” e culpabiliza os sucessivos governos, por não terem criado as condições básicas e necessárias para o fomento do turismo na ilha, que tem o imponente vulcão como o seu ex-libris. Esta declaração foi feita, durante a sexta mesa de diálogo, realizada no concelho dos Mosteiros, enquadrada no projecto de ecoturismo para a ilha (Fogo, Água, Terra e Ar –FATA).

Fernandinho Teixeira: A ilha do Fogo tem tido um turismo de

“O turismo na ilha não é aquele que idealizamos. Uma ilha com a cidade de São Filipe, com a sua ainda bem conservada arquitectura colonial e os Mosteiros, Monte Velha, Bordeira do Parque Natural e a estância balnear de Salinas - que atrai muitos amantes de mergulho e de pesca submarina por causa da sua grande piscina natural, mas ainda estamos a verificar que, as condições para o fomento do turismo não foram criados pelos sucessivos governos”, admite .

O edil mosteirense explica que é preciso criar as condições básicas e necessárias para atrair os turistas para ficarem na ilha por alguns dias e não apenas como uma segunda ou terceira opção, isto após, visitas as ilhas do Sal e Boa Vista.

“Mas para isso, temos que melhorar em alguns aspectos, sobretudo, a comunicação entre ilhas. Verifica-se que é preciso criar as condições básicas para o desenvolvimento turístico na ilha, passando pela construção de um aeroporto internacional, estrada em melhores condições, modernizar a infra-estrutura portuária, apostar num turismo de trekking e de montanha e apostar fortemente na qualificação dos recursos humanos do sector e qualificar os produtos locais”.

Para o mesmo, “há uma forte concentração de turistas nas ilhas do Sal e Boa Vista, porque houve um forte investimento turístico publico neste sector. Creio que o sector turístico possa desenvolver nas outras ilhas, quando o Governo passa a investir equitativamente. Há uma excessiva concentração de investimentos nestas duas ilhas, é preciso haver desconcentração dos investimentos”.

Por isso, defende Fernandino Teixeira a divisão equitativa dos recursos. “Veja por exemplo, do Fundo do Turismo, a ilha do Sal, vai receber mais de 190 mil contos e Mosteiros vai receber 600 contos e o município de Santa Catarina do Fogo vai receber menos de 200 contos. É uma discrepância enorme”.

Mesmo assim, não deixa de acreditar num futuro promissor do turismo na ilha. Ainda que insípido por agora, Teixeira apelou aos operadores turísticos a investiram no turismo marinho e de montanha.

Esteve presente também na sexta mesa de diálogo, realizada no concelho dos Mosteiros, enquadrada no projecto de ecoturismo para a ilha (Fogo, Água, Terra e Ar –FATA), o Director-geral da Direção Geral do Turismo e Transportes (DGTT), Carlos dos Anjos.

Este promete “um empurrão especial a tudo que seja ligado ao sector turístico para a ilha, com foco no turismo histórico, cultural”. Segundo diz, deve-se apostar na valorização dos patrimónios históricos, que são os sobrados da Cidade de São Filipe.

Mas também aproveitar o vulcão para desenvolver e atrair um turismo científico de vulcanologista. Criar também rotas do café, dos sobrados, feiras gastronómicas.
Estas valências turísticas da ilha, segundo a promessa de Carlos dos Anjos “estarão plasmados no Plano de desenvolvimento estratégico do turismo. No final do Dezembro, será apresentado o Master plan, a partir daí, haverá um plano de implementação no horizonte de três anos ”.

DGTT já integra mesa do diálogo do projecto de turismo sustentável FATA

A mesa de diálogo é um espaço onde se debate diferentes assuntos ligados ao turismo. Fogo, Água, Terra e Ar – FATA” é um projecto que pretende contribuir para o desenvolvimento do eco-turismo sustentável e solidário, valorizar e tutelar o património cultural, social e ambiental do Fogo. O FATA está orçado em 576 mil e 401 euros, o equivalente a mais de 63 mil contos cabo-verdianos.

A União Europeia financia o projecto em cerca de 75 por cento (432 mil e 300 euros). Os restantes 25 por cento são assegurados pelos co-promotores - as Câmaras Municipais da ilha, a ONG italiana COSPE, a Associação dos Guias Turísticos de Chã das Caldeiras, Parque Natural do Fogo e a região italiana de Veneto.

Baseado nos critérios globais de turismo sustentável, o projecto prevê o planeamento eficaz para a sustentabilidade, vai maximizar os benefícios sociais e económicos para a comunidade local, promover o património cultural e reduzir os impactos negativos sobre o meio ambiente.

O FATA contempla ainda actividades consideradas vitais para alavancar o turismo no Fogo, como sejam o mapeamento das instituições e dos empreendimentos locais e a organização de uma mesa de diálogo territorial.

O resultado esperado começa a ser visto, segundo diz Carla Cossu, representante da ong Cospe – Cabo Verde, que é executante do projecto, sublinhando que a próxima actividade vai ser o plano de desenvolvimento turístico e o plano de comercialização, e que o projecto está à espera que a DGTT elabore o seu plano de desenvolvimento turístico a nível nacional para ajudar a orientar melhor na elaboração dos planos locais.

Nicolau Centeio

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