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Clima mortífero em 2100 na Europa que acolhe cabo-verdianos 06 Agosto 2017

Os fenómenos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e inundações, poderão afectar dois em cada três europeus – há muitos cabo-verdianos no velho continente- isto no horizonte perto do fim do século, segundo estimativas que constam num estudo divulgado hoje (05) na publicação científica The Lancet Planetary Health.

Clima mortífero em 2100 na Europa que acolhe cabo-verdianos

De acordo com o estudo retomado por vários órgãos da imprensa mundial, o número de mortes resultantes de ondas de calor poderá aumentar potencialmente 50 vezes na Europa, passando de 2.732 anuais no período 1981-2010 para 151.514 anuais em 2071-2100. Um fenómeno em relação ao qual Cabo Verde não pode ficar alheio, já que existem muitos cabo-verdianos radicados no velho continente, com destaque para os países da emigração, como Portugal, Holanda, França, Itália e Luxemburgo.

700 mortes por cada milhão no Sul de Europa

No sul da Europa, a região mais fustigada e onde é esperado um efeito maior das ondas de calor e dos períodos de seca. Diz o estudo que quase todas as pessoas poderão ser atingidas anualmente por um desastre natural perto de 2100, condição que se traduzirá em 700 mortes por cada milhão de habitantes, assinala a publicação em comunicado.

Conforme a mesma fonte, as projecções foram calculadas com base no pressuposto de que não haverá redução das emissões de gases com efeito de estufa e melhorias nas medidas que ajudem a diminuir o impacto dos fenómenos meteorológicos extremos, como planeamento urbano, uso sustentado do solo ou isolamento térmico de edifícios.

O estudo, realizado por investigadores do European Commission Joint Research Centre, da Comissão Europeia, nomeadamente pelo português Filipe Batista e Silva, analisa os efeitos de ondas de calor e frio, incêndios florestais, secas, inundações e tempestades de vento nos 28 países da União Europeia, na Suíça, na Noruega e na Islândia.

As conclusões apontam para que o número de europeus expostos anualmente a tais fenómenos possa subir de uma em cada 20 pessoas, no início do século XXI, para duas em cada três, perto do fim do século XXI.

Os investigadores avaliaram 2.300 registos de desastres naturais de 1981 a 2010, incluindo o tipo de desastre, o ano e o país onde ocorreu e o número de mortos causados, para estimar a vulnerabilidade da população a cada um dos fenómenos climáticos severos.

Mudança climática afecta 350 milhões

Posteriormente, combinaram os dados com projeções de como as alterações climáticas podem progredir e de como as populações podem aumentar ou migrar entre 2071 e 2100.

O estudo, que ignora os efeitos do envelhecimento da população ou do crescimento económico, que podem alterar o impacto dos desastres naturais nas pessoas, estima que as ondas de calor sejam o fenómeno meteorológico mais letal, ao causar 99 por cento das mortes relacionadas com o clima, e vaticina que as inundações costeiras possam levar ao aumento de seis mortes por ano, no início do século, para 233 perto do final do século.

“As alterações climáticas são uma das maiores ameaças globais para a saúde humana no século XXI, e o seu perigo para a sociedade estará cada vez mais ligado a fenómenos meteorológicos”, sustenta o autor principal do estudo, Giovanni Forzieri, citado no comunicado pela The Lancet Planetary Health que foi retomado pelo Euronews.

Refere a pesquisa que o cientista avisa que, se nada for feito para travar o aquecimento global, 350 milhões de europeus poderão ser atingidos anualmente por fenómenos climáticos nocivos perto de 2100.

Mais de 4 mil mortes anuais em Portugal

Segundo a projecção do mesmo estudo, em Portugal, as ondas de calor poderão provocar mais de 4.000 mortes anuais, isto no horizonte perto do final do século.

Os cientistas avaliaram 2.300 registos de desastres naturais de 1981 a 2010, incluindo o tipo de desastre, o ano e o país onde ocorreu e o número de mortos causados, para estimar a vulnerabilidade da população a cada um dos fenómenos climáticos severos.

Posteriormente, combinaram os dados com projeções de como as alterações climáticas podem progredir e de como as populações podem aumentar ou migrar entre 2071 e 2100.

Para Portugal, as estimativas apontam para um aumento do número de mortes resultantes de ondas de calor, de 91 por ano, no período 1981-2010, para 4.555 anuais, em 2071-2100.

As ondas de calor são, de acordo com o referido estudo divulgado pelo Euronews, o fenómeno meteorológico mais letal para o país de Camões.

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