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Caso TACV: Questionamentos do acordo e dos aviões «velhos» da Icelandair que chegaram 10 Novembro 2017

A TACV está a fazer análises simplistas, de forma apaixonada e, em muitos casos, sem qualquer fundamento técnico, da chegada recente dos dois«velhos» aviões alugados à Icelandair em regime de leasing. O alerta parte de uma fonte parlamentar, que cita pareceres de técnicos da aeronáutica civil, para quem analisando o todo, em vez da parte (a simples chegada das aeronaves da Icelandair e não da TACV), «chega-se à conclusão que esse negócio ainda não tem e nem terá possivelmente pernas para andar».

Caso TACV: Questionamentos do acordo e dos aviões «velhos» da Icelandair que chegaram

O interlocutor referido - que procurou o Asemanaonline para exprimir a sua preocupação perante o negócio, cujos meandros estão ainda por ser revelados aos cabo-verdianos pelo Governo de Ulisses Correia e Silva - faz uma série de questionamentos sobre o acordo em causa, ilustrando com vários factos relevantes.

Aviões alugados sem conhecer meandros do negócio

Para a mesma fonte, está-se a esquecer que os aviões que chegaram são alugados (leasing) e não se sabe ainda qual é o modelo de leasing (Wet ou Dry Leasing). Alerta, porém, que o modelo de leasing assume um papel secundário, se for levado em conta que os contribuintes não sabem qual é o valor mensal desse leasing.
«Existe a tal Cláusula de Confidencialidade no contrato celebrado pelo Governo de Cabo Verde com a Icelandair, ou seja, estamos perante a situação de o Governo de um Estado soberano e democrata resolver assinar com uma Empresa estrangeira (operador aéreo), a Icelandair, um contrato, cujos detalhes e compromissos os contribuintes cabo-verdianos não conhecem».

Antiguidade das aeronaves

A fazer fé na mesma fonte, ambas as aeronaves têm mais de 20 anos. «Todas as companhias aéreas que dão lucro evitam aeronaves com mais de 10 anos, pois o consumo em termos de combustível é altíssimo. Os números não mentem! As companhias aéreas cujas frotas têm idade média acima dos 15 anos gastam 40% do seu orçamento em combustíveis».
Para o ouvido por este jornal, a Icelandair achou, nesse alegado “acordo leonino” que fez com o Governo de Cabo Verde, uma ótima oportunidade de se desfazer de aeronaves com custos operacionais enormes. « Quem irá pagar essa factura? Muito provavelmente os cabo-Verdianos», adverte a mesma fonte.

Ausência de Plano de Negócios da TACV

O interlocutor do Asemanaonline critica ainda que, até o momento, não se viu o Plano de Negócios dos TACV. «O plano deveria ser elaborado numa fase primária, e, posteriormente, se procurar aeronaves com perfis que se ajustassem a esse Plano de Negócios».
A referida fonte salienta que sem esse trabalho, os TACV estão obrigados a adaptar o seu Plano de Negócios (quando vier a existir) a aeronaves com mais de 20 anos, e com consumos exorbitantes, em termos de combustível.

Futuro dos 300 trabalhadores

Uma outra preocupação da fonte parlamentar tem a ver com os cerca de 300 trabalhadores dos TACV que irão para o desemprego. Lembra o interlocutor referido que o Governo de Cabo Verde falou, no passado recente, de uma linha de crédito com juros favoráveis para esses profissionais - muitos com mais de 15 anos de casa.
« Essa promessa será cumprida? Esses 300 trabalhadores não sabem, até este momento, nada sobre o seu futuro. Quem vai ser despedido? Quantos vão ser despedidos? Quando serão despedidos? Que valores receberão de indemnização? O Governo pura e simplesmente não informa esses trabalhadores do seu futuro. Ou seja, ninguém informa nada a esses trabalhadores que deram vida aos TACV», questiona o informante do Asemanaonline.

TACV e dois gestores

Mas as dúvidas do entrevistado deste diário digital não ficam por aí. Questiona quem efetivamente está a gerir os TACV: É o CEO, Mário Chaves, ou o PCA, José Luis Sá Nogueira? É que, segundo adverte, ambos têm o mesmo descritivo funcional.
«Os TACV são deveras especial! Deve ser a única Empresa no mundo com dois decisores! E ambos com salários chorudos. Dizer que que o Sá Nogueira representa o governo na empresa não faz sentido, pois quem negociou todo o processo com a Icelandair foi o Ministro das Finanças (portanto, ele poderia muito bem trabalhar diretamente com o Sr. Mário Chaves). Assim sendo, o que faz nos TACV o Sá Nogueira?», questiona a nossa fonte.

Esta admite, porém, que é preciso ousar sim, porque as parcerias são muito importantes. Mas alerta que um dos princípios por que se rege a indústria aeronáutica nos dias de hoje é a constante avaliação de riscos, para que esses não se transformem em riscos intoleráveis, e inviabilizem o negócio.

«É preciso saber os riscos inerentes ao acordo celebrado pelo Governo com a Icelandair! Os cabo-verdianos têm o direito de conhecer os meandros de um negócio sobre recursos estratégicos do país, e que pode comprometer o futuro do país», pontua a fonte parlamentar que vimos referindo, perguntando que TACV o país terá nos próximos dois anos e como ficarão as obras de ampliação do Aeroporto Internacional Nelson Mandela da Praia, num momento em que o grosso das operações aeronáuticas estão a ser mudadas para a Ilha do Sal.

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