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Cabo-verdiano indicado para Prémio Fernão Mendes Pinto 13 Agosto 2013

O cabo-verdiano Oziel Morais está indicado para o Prémio Fernão Mendes Pinto, promovido pela Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP). Este filho de São Nicolau concorre ao galardão que distingue teses de mestrado ou doutoramento que contribuem para aproximar as comunidades de língua portuguesa. “A Cooperação Bilateral entre o Brasil e Cabo Verde: uma análise a partir dos convénios no Ensino Superior”, é uma pesquisa que Oziel Morais defendeu este ano na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Estado de São Paulo.

Cabo-verdiano indicado para Prémio Fernão Mendes Pinto

«Só o facto da minha dissertação estar na lista para o Prémio Fernão Mendes Pinto já é recompensador. A Unicamp está entre as maiores universidades do mundo, e ser indicado pela própria universidade como meritório de um reconhecimento é uma honra tamanha”, afirma Oziel Morais, que terá de dosear a ansiedade até a próxima sessão da AULP – no próximo ano, em Macau – para conhecer o vencedor. Mas também confia na qualidade do trabalho que fez: “Tudo me leva a crer que as possibilidades são grandes, por ser um tema inédito, pela grande qualidade e pertinência do tema, à altura daquilo que o prémio propõe e objetiva”.

Oziel Morais vive em Campinas (SP), onde é professor na Faculdade Nazarena. A sua tese de mestrado resgata a história do processo de cooperação bilateral entre Cabo Verde e o Brasil no campo da educação. “Por mais de três décadas estes dois países firmaram um acordo de cooperação educacional. Tudo começou num contexto histórico, político, social e económico muito diferente do de hoje, pois Cabo Verde acabara de se tornar país independente”, recorda Morais cuja pesquisa busca entender em que bases foi firmada a cooperação, quais as motivações e o que se perspectivava.

“O objetivo desta pesquisa, além da reconstrução histórica, é dar mais visibilidade ao tema aqui proposto, contribuindo assim para o debate, e quiçá para a melhoria de políticas no ensino superior cabo-verdiano. No estudo procuro demonstrar como a colaboração do Brasil foi importante na construção de um ensino superior de qualidade em Cabo Verde, como os agentes desta cooperação se sentem em relação a ela e aos seus desdobramentos ao longo das décadas”, afirma Oziel Morais.

A conclusão que sobressai desta dissertação é que “o Brasil é o maior parceiro de Cabo Verde no campo estudado (ensino superior)”, considera o pesquisador cabo-verdiano, antes de destacar os programas mais relevantes e quase que exclusivos desta relação ímpar entre dois Estados-irmãos: o programa Estudante-Convênio de graduação e pós-graduação (PEC-G e PEC-PG), a formação de professores, a criação da Uni-CV, a Iniciação Científica e, a mais recente, a avaliação do ensino superior em Cabo Verde”.

Não foi contudo fácil montar esta pesquisa, confessa Oziel Morais: “A minha primeira grande dificuldade foi não ter conseguido uma bolsa de estudo para custear as minhas despesas de investigação. A segunda é que pouco ou quase nada se encontra em arquivos nacionais ou bibliotecas dos dois países sobre a cooperação entre o Brasil e Cabo Verde, apesar de terem passado mais de três décadas sobre o início desta cooperação bilateral”.

Maugrado as dificuldades, o estudioso cabo-verdiano orgulha-se hoje da sua obra: “me surpreendi com o resultado e o caminho que esta pesquisa tomou. No começo não tinha a noção que chegaria a tanto, nem que este trabalho teria toda a aceitação e utilidade que está tendo. É bom ouvir das autoridades que preciso continuar a pesquisa para, mais do que entender esta cooperação, ver os seus resultados na sociedade cabo-verdiana”.

Diante dos elogios e palavras de desafio lançados pelo ministro António Correia e Silva (Ensino Superior e Ciência), pelo reitor da Uni-Cv, Paulino Fortes e Ministério da Educação do Brasil, Oziel Morais não se fez de rogado e lançou-se mais uma vez na estrada, rumo ao doutoramento. Desta feita “escolhi o tema ‘Análise das contribuições mais proeminentes dos alunos, técnicos e professores que beneficiaram da cooperação educacional Brasil/Cabo Verde’. O Primeiro-Ministro José Maria Neves é um dos alunos desta cooperação”.

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