POLÍTICA

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Polémica sobre relações Cabo Verde-Israel: Governo acusa PAICV de usar estratégia dissimulada com recurso a escribas de serviço para exercer a oposição 11 Agosto 2017

Em nota de imprensa, o Governo de Cabo Verde explica que, «tem sido publicado nas redes sociais um conjunto de especulações sobre uma pretensa intenção do Governo de se desvincular dos princípios básicos que norteiam a relação entre os povos», designadamente o reconhecimento do direito à autodeterminação e, ainda, de estar a distanciar-se das resoluções legitimamente adotadas pelas Nações Unidas. “Tem isso a ver com a já proclamada intenção do Governo de Cabo Verde de estreitar os laços de cooperação com o Estado de Israel”, lê-se na mesma fonte.

Polémica sobre relações Cabo Verde-Israel: Governo acusa PAICV de usar estratégia dissimulada com recurso a escribas de serviço para exercer a oposição

Para o Governo de Cabo Verde, «as coléricas especulações» que ora circulam “não constituem actos isolados e nem decorrem de exteriorizações ou arrebatamentos intempestivos de quem esteja indignado com uma situação particular. São, sim, reveladoras de uma estratégia dissimulada e reveladora da forma como o PAICV decidiu exercer a oposição democrática, com recurso a escribas de serviço, uns absolutamente irreflectidos e inconsistentes, outros, mais subtis e ardilosos, tentando conferir credibilidade aos seus argumentos com recurso a um pretenso conhecimento de meandros devido as altas funções que desempenharam no passado”.

Conforme o comunicado, o executivo “está consciente de que essas maquinações, urdidas em nome de uma alegada ascendência moral e revolucionária, estão claramente em contramão com as mais legítimas aspirações dos cabo-verdianos”.

Diante de tudo isto, esclarece que Cabo Verde é um protagonista ativo e útil do sistema das Nações Unidas e tem desempenhado um papel importante no concerto das nações, na aproximação dos povos e na luta pela paz e prosperidade em todo o mundo. « Nessa perspetiva, propugna por relações diversificadas e baseadas nos princípios da soberania, do respeito mútuo, da coexistência pacífica das nações e da resolução pacífica dos conflitos», refere a nota.

Esta acrescenta que o estreitamento dos laços de cooperação com o Estado de Israel não tem correlação e tampouco implica qualquer desvinculação dos valores éticos que norteiam a coexistência pacífica dos povos onde, naturalmente, se inserem os direitos inalienáveis à paz, à autodeterminação e à prosperidade.

«A pretensão de aprofundar a cooperação com os diversos sujeitos de um mundo cada vez mais globalizado e que requer respostas múltiplas a questões múltiplas, não pode ser mecanicamente associada a uma renúncia de valores ou princípios, como sub-repticiamente defendem alguns desavisados e boiada de serviço», critica.

O documento faz questão de realçar que a pretensão do Governo circunscreve-se estritamente a uma intransigente defesa dos interesses de Cabo Verde e dos cabo-verdianos, por via de uma procura transparente, objetiva e pragmática de novas hastes. «De resto, o mesmo pragmatismo que no passado, norteou os primeiros governos do Cabo Verde independente a manter, em defesa dos interesses da Ilha do Sal e de Cabo Verde, relações económicas com a África do Sul, não obstante um embargo de toda a comunidade internacional. Alguns escribas, então dirigentes de cúpula do partido no poder, estarão seguramente lembrados que Cabo Verde foi o único pais de África a permitir a escala dos aviões da companhia aérea sul-africana, SAA. Os interesses de Cabo Verde estavam em primeiro lugar».

Embaixada para Israel e causas das reacções

A nota que vimos citando, anuncia que o Governo de Cabo Verde irá continuar a trabalhar para desenvolver e consolidar as relações de cooperação e de amizade com o Estado de Israel e brevemente designará um Embaixador não residente naquele país do médio oriente. É que, garante o Palácio da Várzea, os interesses de Cabo Verde estão sempre em primeiro lugar.

«O executivo Cabo-verdiano não se desviará um milímetro sequer da sua opção pragmática e objectiva da nova diplomacia que quer, com audácia, determinação e responsabilidade, desenvolver para fortalecer, no quadro da defesa intransigente dos direitos humanos, da democracia, das liberdades e do primado da lei, as suas relações externas com os demais países que compõem a comunidade internacional», conclui em comunicado o governo.

Esta posição do executivo de Ulisses Correia e Silva surge em reacção ao post que o Primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu colocou recentemente na sua conta pessoal no Twitter, anunciado que o Presidente da República Jorge Carlos Fonseca o tinha garantido o «apoio total de Cabo Verde» a nível das Nações Unidas. O caso desencadeou uma onda de críticas, obrigando o PR a desmentir o PM Benjamin Netanyah que afinal Cabo Verde não tinha discutido nem prometido o apoio a Israel a nível da ONU.

Seja como for, há críticas, principalmente entre diplomatas e políticos, que houve falha na concertação entre o Governo e a Presidência da República no tocante ao caso em apreço. Um posicionamento que significou uma mudança drástica na politica externa de Cabo Verde e no relacionamento com a Israel, que continua com a politica do colonato no território da Palestina, violando o direito internacional de autodeterminação dos palestinianos de se auto-governarem como um Estado soberano e independente.

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