POLÍTICA

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Oposição preocupada com a situação em Santiago Sul: Carlos Tavares alerta para vulnerabilidade das comunidades com seca, crise de água, surto de paludismo e aumento de taxas na Praia 07 Novembro 2017

O Líder da Comissão Política Regional de Santiago Sul do PAICV convocou a imprensa, esta segunda-feira, 06, na Capital, para anunciar várias dificuldades por que passam as famílias, com foco no mau ano agrícola, na crise de água, no surto do paludismo que já ultrapassou 300 casos e na proposta da Câmara para aumentar as tabelas de licenças e taxas no Município da Praia. Carlos «Calicas» Tavares alerta que a situação política regional apresenta sinais preocupantes, que exigem uma actuação mais decente e com mais sensibilidade e sentido de responsabilidade por parte do Governo da República e das Câmaras Municipais da Região - Praia, São Domingos e Cidade Velha.

Oposição  preocupada com a situação em Santiago Sul: Carlos Tavares alerta para vulnerabilidade das comunidades com seca, crise de água, surto de paludismo e aumento de taxas na Praia

Este posicionamento da nova liderança da oposição na região metropolitana da Capital cabo-verdiana surgiu depois primeira reunião ordinária da recém-eleita Comissão Politica Regional, que teve lugar no último sábado, 04. Uma sessão que serviu, segundo Carlos Tavares, para analisar várias questões que dificultam a vida quotidiana das famílias dos vários bairros dos três Concelho de Santiago Sul - estiveram no centro das atenções o impacto do mau ano agrícola, a falta de água, o surto de paludismo e a saúde pública na região. Isto sem contar com a má gestão de terrenos e ocupação da orla marítima e a proposta para aumentar as tabelas de licenças e taxas municipais.

Seca e crise de água

Devido ao agravamento da crise económica provocada pelo mau ano agrícola, a CPRSS vê com “enorme preocupação” a situação vivida pelos agricultores e criadores de gado na região sul de Santiago.

“Entendemos que o Governo e as Câmaras Municipais não têm agido em tempo oportuno para auxiliar as famílias afectadas. Elas estão abandonadas e desesperadas, vivendo uma situação social difícil. É preciso adquirir o hábito de planear de forma sustentável e criar medidas de adaptação atempadas para fazer face aos fenómenos e situações que possam pôr em risco a sobrevivência das famílias”, realça Calicas.

Outra preocupação apresentada pelo lider do maior partido da oposição em Santiago Sul é a penúria no abastecimento de água, nas várias zonas e bairros dos concelhos de Praia, São Domingos e Ribeira Grande. Um situação que “que tem deixado muitos moradores apreensivos”.

“Como se não bastasse, com a subida da tarifa da água que também se regista, a população é confrontada com a falta e diminuição no seu fornecimento. Este líquido é um bem essencial para qualquer população e o seu acesso é uma das condições básicas para a dignidade humana. De modo que esta situação deve merecer a devida atenção e resolução por parte das autoridades competentes, isto no sentido de garantir aos utentes o seu abastecimento corrente e com qualidade”, recomenda.

Surto de Paludismo e saúde pública

Persistindo nas questões que afectam a saúde pública, o Presidente da CPRSS é da opinião que o saneamento ambiental deve ser reforçado numa lógica colaborativa e na perspectiva preventiva.

Diante disso, Carlos Tavares acusa o Governo e a Câmara Municipal da Praia de estarem a agir “em cima dos joelhos”. “Preocupa-nos a degradação dos indicadores relacionados com o paludismo, bem como a sonegação de informações por parte dos poderes públicos em relação à essa epidemia. As autoridades devem assumir as suas responsabilidades e evitar que esta doença se propague e aumente cada vez mais, como tem acontecido nos últimos dias”, exige.

Gestão de terrenos e ocupação da orla marítima

Para o líder do PAICV da região Sul de Santiago, a forma como tem sido feita a gestão de terrenos, ao nível das Câmaras Municipais da região, não serve em termos de interesse público.

O dirigente tambarina considera «que houve negócios de alienação pouco claros», a ponto de afirmar que «existem indícios fortes de que o terreno é utilizado como moeda de troca de serviço a ser prestado por certas empresas».

“Mas, mais: há muita burocracia na atribuição de terrenos para construção, com pessoas há mais de dez anos à espera de um lote, com injustiças e descriminação no seu acesso, e, desta forma, existem cidadãos de primeira e cidadãos de segunda”, desabafa.

As construções licenciadas na orla marítima, de forma desenquadrada e com materiais pouco recomendáveis em cima de zonas públicas e sensíveis, constituem outras preocupações não só do PAICV como também da sociedade, conforme alerta Tavares. “As construções em cima de falésias e areal fazem desaparecer a qualidade paisagística, com consequente diminuição na qualidade de usufruto pelas pessoas da frente marítima da capital”, critica Tavares.

Aumento de licenças e taxas municipais

De acordo com o PAICV, a Câmara da Praia já tem agendado, para esta terça-feira, 07, em Assembleia Municipal, a actualização da tabela de licenças e taxas municipais, com proposta para o seu aumento.

“Dada à situação difícil por que passam as famílias, por causa da subida de bens de primeira necessidade e do mau ano agrícola, entendemos que o aumento de taxas, neste momento, não é oportuno. Antes pelo contrário dever-se-ia promover a diminuição de muitas dessas taxas, como forma de mitigar a situação difícil por que passam os cabo-verdianos neste momento ”, aponta.

Entretanto, o lider do CPRSS avisa que o PAICV vai continuar a acompanhar as situações referidas com atenção, tendo em conta o superior interesse dos munícipes. Por isso, promete denunciar situações indignas e apresentar iniciativas que possam levar mais dignidade e melhoria da qualidade de vida às comunidades de Santiago Sul. Celso Lobo

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