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Bullying nas escolas 08 Setembro 2017

Uma das questões que achamos pertinente e muito séria que decidimos trazer aqui para a discussão é a questão do bullying. Este fenómeno é definido como agressões repetidas e intencionais contra um individuo indefeso. Pode ser agressão verbal ou física e acontece geralmente quando há desequilíbrio de poderes.

Por: Alberto Lopes Sanches

 Bullying nas escolas

Com o início das aulas à porta, a preocupação dos pais e encarregados da educação está centrada na compra dos manuais, cadernos, mochilas, uniformes de modo a garantir um bom arranque do ano lectivo e que os filhos mantenham em pé de igualdade com os demais.

O motivo não é para menos porque a educação como é sabido é a “chave que abre todas as portas”. Ela é sem sombra de dúvida a arma mais poderosa que o homem pode ter em seu poder e aproveitar para o seu benefício próprio. Como se não bastasse, ela é transversal a todos os sectores.

As crianças e os jovens devem ter em mente que a educação é o seu foco principal desde o primeiro dia de aulas até ao último dia. Devem também reconhecer essa grande aposta que os pais fazem na sua educação. Tanto é que não tem dinheiro que se pague todo o gasto feito ao longo desses anos de estudos. A grande esperança depositada é que sejam, simplesmente grandes homens de amanha.

Uma das questões que achamos pertinente e muito séria que decidimos trazer aqui para a discussão é a questão do bullying. Este fenómeno é definido como agressões repetidas e intencionais contra um individuo indefeso. Pode ser agressão verbal ou física e acontece geralmente quando há desequilíbrio de poderes.

Trata-se de um fenómeno antigo e que não se restringe apenas à sala de aula. Qualquer um pode ser vítima de bullying, seja por ser gordo, magro, alto, baixinho, deficiente. Várias situações podem estimular o agressor a praticar tal acto. O medo, o egocentrismo, as influências dos filmes ou das novelas, a confiança na sua superioridade, o ambiente de distúrbios em casa, etc. E algo que urge ser combatido porque tem vindo a trazer consequências nefastas para muitos alunos, particularmente aqueles que têm grande gosto em ir à escola e enriquecer os seus conhecimentos. Provocam impactos de ordem psicológica, física, e com tendências para perdurar largos anos na vida das pessoas. Os sintomas variam desde dor de cabeça, depressão, falta de apetite, distúrbio do sono, entre outros.

Estes comportamentos ofensivos advêm de algumas influências erradas que os indivíduos recebem fora de casa e mesmo dentro de casa e que pesam fortemente nos seus comportamentos. O egoísmo, muitas vezes faz com que o individuo se projecte a sua imagem em detrimento do outro. Seja como for, faz de tudo para difamar o colega, esquecendo-se que para se suceder na vida é necessário algumas valências, tais como o respeito, a dedicação, o amor, a humildade e a justiça.

Curiosamente a escola, as vezes propiciam condições para tal. Hoje mais do que nunca não se assiste forte rigor e controle sobre os estudantes nas escolas e assim sendo fica um espaço aberto para os alunos se aliciarem por esse mal.

Ao que parece esse mal não tem um fim à vista e alarga-se actualmente para o cyberbullying . Um tipo de bullying em que os criminosos usam as novas tecnologias para se comunicarem sob o anonimato. A audiência tem sido vasta e as mensagens correm com tanta velocidade e nunca sabemos quem as enviou. Mensagens por SMS, chamadas telefónicas, fotos ou cara a cara na internet. Uma parte das vítimas não sabe quem é o agressor, mas a outra parte (agressores) sabe.

Os meios em que o bullying é perpetrado são quase semelhantes em todo o mundo. Certas vítimas tentam esconder o caso e não se abrem com os pais lá em casa ou com os professores na escola, sob pena de não voltarem a receber chapadas mais duras dos colegas agressores ou também para evitar a confusão. Alguns encarregados da educação ao saber de que os seus filhos estão a ser vítimas partem logo por vingança.

A sociedade civil deve repudiar profundamente este tipo de acto e pressionar a escola ou o Ministério da Educação a tomar medidas contra o agressor, como forma de proteger as vitimas e evitar danos maiores.

Embora nem todos os pais dominam bem as novas tecnologias tais como os filhos, eles devem acompanhá-los e falar sobre a experiencia que estes têm sobre a internet. Porque não estar muito atento às mudanças de comportamento dos mais pequenos? É necessário que o Ministério da Educação se reavalie a sua estratégia de prevenção ou combate ao bullying. Esse fenómeno tem que ser abordado nos curricula e assim abrir o espaço para debate, envolvendo especialistas, professores, alunos, comunidade educativa e os pais. O regulamento escolar tem que prever punições duras para quem praticar este tipo de crime como forma de não voltarem a cometê-lo mas também servir de alerta para os que ainda não cometeram o tal crime. A prevenção não deixa de ser o melhor remédio. Os próprios professores devem efectuar um trabalho pedagógico junto dos alunos, fomentando um clima de mais harmonia entre os colegas. As associações comunitárias, as ONGs, as midias, as igrejas desenvolvem muitas acções junto dos jovens. Podem aproveitar para dialogarem com eles e ajudá-los a consciencializar desses erros e ao fim ao cabo levá-los a ter um espírito mais aberto e mais solidário com os outros.

Enfim, os miúdos devem evitar esta prática de humilhação e tortura aos próprios colegas, pois isto nada mais traz do que raiva, ódio, revanchismo. Eles têm que saber que enquanto alunos devem trabalhar para fortalecer o ambiente de amizade entre eles e para dignificar a bendita casa que é a escola. Geralmente aquele que faz troça tem medo de ser troçado ou se quiser “trosentu ten medu’l trosa”. Devem estimular a camaradagem, a fraternidade, o companheirismo. A malta jovem tem que inculcar que se quiser ser a referência no seu meio, tem que construir a sua personalidade. E isto tem que começar já.

Setembro,2017

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