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Brasil: JBS manteve 133 milhões de euros em contas para subornar Lula e Dilma 20 Maio 2017

O empresário brasileiro Joesley Batista manteve duas contas no exterior, no valor de 150 milhões de dólares (133 milhões de euros) para pagamento de subornos aos ex-Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. A declaração faz parte de um depoimento aos procuradores brasileiros que integram a “Operação Lava Jacto”, num acordo de colaboração do empresário com a Justiça, e que foi divulgado esta sexta-feira, 19.

Brasil: JBS manteve 133 milhões de euros em contas para subornar Lula e Dilma

O dono da JBS revelou que o dinheiro era gerido pelo ex-ministro das Finanças Guido Mantega, que teria pedido para o empresário abrir as contas, uma para Lula da Silva e outra para Dilma Rousseff.

O ex-ministro também o orientou a gastar o saldo destas contas em campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT) e outras formações partidárias aliadas em 2014.

Joesley Batista relatou que Guido Mantega lhe disse que tanto Lula da Silva quanto Dilma Rousseff sabiam das contas no exterior, mantidas com dinheiro desviado dos negócios firmados pela JBS com o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e com fundos de pensões.

O empresário acrescentou ainda, que chegou a procurar Dilma Rousseff para informar que o dinheiro estava a acabar, e que mesmo assim, ela o autorizou a fazer uma transferência no valor de 30 milhões de reais (8,2 milhões de euros) para a campanha do actual governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel.

No depoimento, Joesley Batista alegou que não conhecia Lula da Silva muito bem, mas destacou que informou o ex-Presidente das doações numa reunião.

"Eu fui lá no Lula (da Silva) e disse: Nós estamos fazendo esta doação, somos o maior doador e essa conta nossa já passou de 300 milhões de reais (82 milhões de euros), o senhor está vendo a exposição que vai ser isto. Entretanto, o Presente Lula da Silva ficou olhando para mim e não falou nada, não falou nem sim nem não e ficou um silêncio na sala", relatou Joesley Batista.

Os advogados de Lula enviaram uma nota à imprensa em que alegam que "as afirmações de Joesley Batista em relação ao cliente não decorrem de qualquer contacto com o ex-Presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que não foram comprovados”.

Depois da divulgação do depoimento, a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff divulgou uma nota afirmando que a ex-Presidente "jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário, nem de terceiros doações, pagamentos ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014, fosse para si ou quaisquer outros candidatos".

O texto conclui apontando que "Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior. Nunca autorizou, em seu nome ou de terceiros, a abertura de empresas em paraísos fiscais".

Fonte: G1 - Mundo

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